A febre dos bonecos Labubu, da chinesa Pop Mart, tomou proporções globais. Nos Estados Unidos, consumidores enfrentam filas durante a madrugada para garantir os brinquedos de US$ 30, enquanto no mercado paralelo o preço chega a US$ 100. A procura é tão intensa que versões falsificadas, conhecidas como Lafufu, já circulam em postos de gasolina e até em lojas de conveniência.
A Pop Mart, com sede em Pequim, prevê que sua receita ultrapasse 30 bilhões de yuans (US$ 4,2 bilhões) em 2025. Só nas Américas, o faturamento cresceu mais de 1.000% no último ano, segundo relatório divulgado em agosto. Globalmente, a receita proveniente apenas dos Labubus avançou 668% no primeiro semestre.
O risco da moda passageira
Apesar do sucesso, analistas alertam que a popularidade pode ser tão volátil quanto o crescimento. A combinação de escassez e preços elevados tem levado consumidores a buscarem imitações mais baratas.
Para o analista da Morningstar, Jeff Zhang, o desafio da Pop Mart é transformar fenômenos virais em negócios duradouros.
“Em comparação com líderes como Disney e Sanrio, a Pop Mart ainda precisa demonstrar consistência na geração de retorno sobre suas propriedades intelectuais”, destacou.
A guerra contra os Lafufus
A empresa detém a marca “Labubu” desde 2019 nos EUA e desde 2016 em outros países, e já iniciou processos judiciais contra revendedores de cópias. Autoridades chinesas também vêm apreendendo grandes quantidades de falsificações.
Nos EUA e no Reino Unido, órgãos de defesa do consumidor alertaram que versões piratas podem representar risco de asfixia para crianças. Para identificar um produto original, os Labubus contam com adesivo holográfico, QR code oficial e nove dentes característicos.
Estratégia de expansão
Criado originalmente como personagem de livro infantil, o Labubu ganhou força com a estratégia de “caixa surpresa”, que se alinha ao consumo impulsionado por algoritmos em redes como o TikTok.
A Pop Mart abriu pelo menos 50 novas lojas em 2025 e projeta que, até 2034, 70% de sua receita venha de fora da China — hoje o índice é de 39%.
Enquanto enfrenta a concorrência dos Lafufus, a empresa já prepara novidades. O CEO Wang Ning anunciou o lançamento de uma versão miniatura do Labubu, semelhante às populares estatuetas Sonny Angel. A notícia impulsionou as ações da companhia em 14%, atingindo o maior patamar desde a abertura de capital em 2020.
Fonte: CNN


