Centrão admite que anistia comece pelo Senado e não alcance Bolsonaro; oposição pressiona por texto amplo desde 2019

Lideranças do Centrão na Câmara dos Deputados passaram a admitir a possibilidade de que o projeto de anistia seja iniciado no Senado, sob articulação do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), em diálogo com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesse cenário, a proposta poderia não beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A avaliação entre parlamentares é que, caso o texto do Senado seja votado antes, deve prevalecer também na Câmara, enfraquecendo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que enfrenta dificuldades políticas para conduzir o tema.

“O dono da pauta do Congresso hoje é o Davi”, resumiu um integrante do Centrão, em referência ao fortalecimento de Alcolumbre.

Segundo líderes do grupo, a tramitação pelo Senado “ajuda” Motta a evitar um desgaste, mas reduz ainda mais o protagonismo da Câmara em um debate que começou dentro dela.

Oposição quer anistia ampla

Do outro lado, a oposição rejeita qualquer versão restrita e defende que a anistia seja ampla, contemplando atos desde 2019, a partir da abertura do inquérito das fake news.

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), apresentou nesta quinta-feira (4) um rascunho de projeto que garante a anistia a crimes políticos, eleitorais e conexos, o que poderia beneficiar Bolsonaro, seu filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o ex-deputado Daniel Silveira.

O texto ainda tenta abrir caminho para que Bolsonaro dispute as eleições de 2026, apesar de sua inelegibilidade até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral. Juristas, no entanto, destacam que uma eventual anistia não teria efeito sobre condenações eleitorais, a menos que houvesse alteração na Lei da Ficha Limpa.

Dentro do Centrão, também há resistência em recolocar Bolsonaro no jogo político. Partidos como Republicanos e União-PP avaliam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o nome preferencial da direita para a corrida presidencial de 2026.

Fonte: G1