Mortes por metanol no Brasil expõem ausência de rastreabilidade nas bebidas alcoólicas

Os casos de intoxicação por metanol após consumo de bebidas alcoólicas adulteradas reacenderam o debate sobre a necessidade de o Brasil retomar sistemas de controle e rastreabilidade para esse tipo de produto. Especialistas afirmam que mecanismos como o Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), desativado em 2016, poderiam ajudar a reduzir riscos à saúde e a identificar rapidamente lotes adulterados.

O Ministério da Saúde confirmou, no último sábado (4), 195 notificações de intoxicação por metanol, com ao menos duas mortes registradas em São Paulo. O episódio não é isolado: Rússia, Colômbia, Laos e Irã também registraram, nos últimos anos, surtos de envenenamento por bebidas falsificadas.

No Brasil, a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) aponta que a adulteração de bebidas com metanol tem sido explorada por facções criminosas, como o PCC, que aproveitam a ausência de fiscalização rígida. Parte da substância, segundo a entidade, pode vir de combustíveis apreendidos em operações policiais.

A discussão sobre a retomada do Sicobe, criado em 2009 para monitorar a produção de bebidas em tempo real, volta à pauta. O sistema foi considerado de alto custo pela Receita Federal, mas especialistas defendem que sua rastreabilidade poderia ser decisiva para a segurança do consumidor.

Fonte: METRÓPOLES