O governo brasileiro vê com preocupação o possível agravamento das tensões diplomáticas entre Estados Unidos e Venezuela e teme que o tema cause constrangimentos no encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, previsto para ocorrer nos próximos dias, na Malásia, durante a cúpula da Asean (bloco do Sudeste Asiático).
Nas últimas semanas, Trump tem intensificado o discurso contra o narcotráfico na Venezuela e na Colômbia, chegando a autorizar que a CIA atue em território venezuelano, o que provocou forte reação do ditador Nicolás Maduro, que pediu apoio internacional diante da ofensiva americana.
Lula, por outro lado, defendeu recentemente que “nenhum líder estrangeiro deve decidir o destino da Venezuela”, reforçando a posição de que apenas o povo venezuelano tem o direito de escolher seus rumos políticos.
Preocupação com pauta comercial
Nos bastidores, auxiliares do governo brasileiro temem que Trump condicione um possível acordo comercial — como a suspensão de tarifas de 40% sobre produtos brasileiros — a um posicionamento mais duro de Lula contra o regime de Maduro.
Diplomatas relatam que o tema foi citado brevemente em uma conversa privada entre o chanceler Mauro Vieira e o senador republicano Marco Rubio, em Washington.
Enquanto Trump endurece o tom com o presidente colombiano Gustavo Petro, o Itamaraty avalia que Lula poderia se oferecer como mediador para reduzir as tensões entre os dois países.
O alinhamento direto ao governo americano, no entanto, é considerado improvável e indesejado dentro do Planalto.
Fonte: CNN


