Uma operação policial deflagrada nesta terça-feira (28) no Rio de Janeiro teve como alvo 94 suspeitos do Comando Vermelho, identificados como responsáveis por assassinatos, tráfico de drogas, roubos de veículos e outros crimes. Os criminosos estariam escondidos nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, regiões montanhosas e cercadas por matas, que facilitam a fuga.
A investigação que antecedeu a ação durou mais de um ano e identificou que as ordens para tomada de territórios vinham de dois líderes da facção: Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso em presídio federal, e Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, com 269 anotações criminais e 26 mandados de prisão ativos. Para sua captura, o Disque-Denúncia aumentou a recompensa de R$ 1 mil para R$ 100 mil.
Nos últimos quatro anos, o Comando Vermelho se expandiu sob comando de Doca, dominando quase 50 áreas na capital e na Baixada Fluminense, incluindo 16 bairros da Grande Jacarepaguá, onde ocorreram 833 homicídios nos primeiros três anos, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio. A quadrilha também impõe castigos a moradores que descumprem suas regras.
A presença do Comando Vermelho vai além do Rio: levantamento da Secretaria Nacional de Políticas Penais indica que a facção atua em 24 estados e no Distrito Federal. Entre os 30 alvos da operação desta terça, estavam criminosos de outros estados, incluindo chefes da Bahia, Ceará, Pernambuco, Espírito Santo, Rondônia, Amazonas e Pará.
O governador do Rio, Cláudio Castro, atribuiu o crescimento da facção a restrições impostas pela ADPF 635, que limitava operações policiais em comunidades após aumento da letalidade policial. Ele ressaltou a necessidade de integração com o governo federal e apontou que o estado atua sem apoio de blindados ou agentes federais.
O governo estadual pretende retomar o controle da Grande Jacarepaguá, conforme comunicado ao STF no último dia 15, dando continuidade ao plano de reocupação dos territórios dominados pelo crime organizado.
Fonte: G1


