Imagens mostram traficantes fortemente armados antes da megaoperação nos complexos do Alemão e Penha

Vídeos captados por drones mostram o momento em que criminosos fortemente armados se reuniam no alto do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, pouco antes de fugirem pela mata durante a megaoperação realizada na terça-feira (28).

As imagens, gravadas por volta das 6h, registram 23 homens armados, alguns com roupas camufladas e uniformes semelhantes aos das polícias, dificultando a identificação. Entre eles, segundo a investigação, estavam chefes do tráfico de outros estados — Goiás, Espírito Santo, Bahia, Ceará, Amazonas e Pará — e integrantes da cúpula do Comando Vermelho (CV) no Rio.

O vídeo mostra o grupo se deslocando em direção à Serra da Misericórdia, área que se tornou o principal foco de confrontos durante a operação. O traficante Doca, alvo central da ação, já estava escondido fora do perímetro de casas no momento das filmagens. Segundo o secretário de Segurança Pública do Rio, Victor Santos, a vegetação densa e o terreno acidentado dificultaram o avanço policial e facilitaram a fuga dos criminosos, que usam a mata também como rota de escape e área de treinamento — inclusive para menores de idade.

As imagens fazem parte de um relatório da polícia que registra atos de extrema violência praticados pelo CV. Em um dos vídeos analisados, um homem é arrastado por uma moto após ser acusado de roubar dinheiro do tráfico; a polícia suspeita de execução.

De acordo com as polícias Civil e Militar, o Comando Vermelho controla mais de mil favelas no Rio, o equivalente a seis em cada dez comunidades do estado, enquanto as demais áreas são dominadas por milícias e outros grupos. A facção também expandiu sua exploração dos territórios, cobrando “pedágios” de moradores por serviços como gás, internet e transporte.

A influência do CV se estende para 24 estados e o Distrito Federal, consolidando a facção como a maior organização criminosa em atividade no país.

A megaoperação nos complexos do Alemão e Penha, a mais letal da história do Rio, deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais, e resultou em 113 prisões. Foram mobilizados 2,5 mil agentes das polícias Civil, Militar e unidades especiais, com o objetivo de cumprir mandados de prisão e desarticular bases logísticas da facção.

O governo estadual classificou a operação como “êxito”, enquanto organizações civis e moradores denunciaram remoções irregulares de corpos, abusos e impactos humanitários na região.

Fonte: G1