PF faz Lula e Bolsonaro “sócios” na crise do INSS

A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, colocou as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) no centro da crise envolvendo fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. A investigação aponta suspeitas contra integrantes dos dois governos, ampliando o alcance político do caso.

As apurações indicam que entidades envolvidas no esquema teriam descontado irregularmente cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários entre 2019 e 2024. A ofensiva mais recente da PF alcançou Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS indicado pelo atual governo, e José Carlos de Oliveira — que também presidiu o instituto e comandou o Ministério do Trabalho e Previdência no governo Bolsonaro.

Stefanutto teve a prisão preventiva decretada. De acordo com a PF, ele teria recebido propinas mensais de R$ 250 mil entre junho de 2023 e setembro de 2024, atuando como facilitador do grupo criminoso dentro do órgão. Sua defesa nega participação no esquema.

Já Oliveira, atualmente identificado como Ahmed Mohamad Oliveira, é apontado como figura central na estruturação das fraudes envolvendo a Conafer. A PF afirma possuir fortes indícios de que irregularidades continuaram durante sua passagem pelo ministério bolsonarista. Ele passou a cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

Com o avanço das investigações, tanto governo quanto oposição ajustam seu discurso para tentar se afastar do caso. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a apuração demonstra autonomia dos órgãos de controle, reforçando a narrativa de que não houve blindagem dentro do INSS. A estratégia é destacar o compromisso com a fiscalização e a reparação de prejuízos a aposentados e pensionistas.

Já aliados de Bolsonaro tentam isolar politicamente o ex-presidente, alegando que Oliveira não mantinha relação direta com ele. O objetivo é desvincular o antigo chefe do Executivo do esquema e reforçar confiança no andamento das investigações.

Fonte: CNN