O 4º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), localizado no Guará, entrou no radar como possível local de cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de reclusão no julgamento do plano de golpe. A possibilidade foi confirmada à CNN Brasil por duas fontes do alto escalão do Governo do Distrito Federal, embora a decisão final caiba ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O batalhão é o mesmo onde o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, esteve preso entre janeiro e maio de 2023, durante as investigações do mesmo caso. Torres também acabou condenado na ação sobre a tentativa de golpe.
O prazo para o último recurso da defesa de Bolsonaro e de outros seis condenados do núcleo central da trama foi aberto na terça-feira (18). Após essa etapa, o processo poderá transitar em julgado, permitindo que Moraes determine a execução da pena.
A avaliação de aliados e familiares do ex-presidente é de que o batalhão ofereceria condições mais adequadas que alternativas como o Complexo Penitenciário da Papuda, uma carceragem da Polícia Federal ou uma sala de Estado-Maior do Exército. Já integrantes da cúpula da PMDF, sob reserva, afirmam que a possibilidade traria desafios, como a necessidade de reforço de efetivo para garantir segurança e atendimento médico 24 horas, além do risco de aglomeração de manifestantes, a exemplo do que ocorreu após as eleições de 2022.
Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde agosto, no processo por coação à investigação. Aliados defendem que ele permaneça em casa, alegando motivos de saúde.
Na segunda-feira (17), senadores aliados — Damares Alves, Izalci Lucas, Márcio Bittar e Eduardo Girão — visitaram a Papuda e divulgaram relatório em que apontam problemas como alimentação inadequada e ausência de dieta balanceada, em defesa da manutenção da prisão domiciliar para o ex-presidente.
A cela do 4º Batalhão da PMDF, que já abrigou Anderson Torres, possui cerca de 20 m², TV, frigobar, banheiro de dois metros quadrados, dois armários e um beliche. O espaço, anteriormente usado pelo comandante do batalhão, conta com janela voltada para áreas arborizadas. O corredor de acesso é isolado e monitorado permanentemente. Até o momento, não há preparo adicional para receber Bolsonaro.
Fonte: CNN


