A Secretaria Estadual da Educação de São Paulo lançou um projeto piloto para enfrentar a defasagem de aprendizagem na rede estadual por meio da divisão de alunos do mesmo ano em turmas diferentes, de acordo com o nível de conhecimento. Batizada de Projeto Voar, a iniciativa foi anunciada pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e já está em funcionamento em 147 escolas.
Inspirado em uma metodologia aplicada na Índia, o projeto contará com acompanhamento de pesquisadores da Universidade de Harvard, responsáveis por avaliar seus resultados. A proposta mira estudantes que avançaram de série, mas apresentam uma distorção significativa entre o ano cursado e o nível real de aprendizagem.
Segundo a secretaria, o objetivo é permitir que professores adaptem o ritmo das aulas ao chamado “nível de proficiência” dos alunos, criando condições para recompor déficits acumulados ao longo da trajetória escolar. “Hoje, quando um professor entra em uma sala de 9º ano, encontra estudantes com necessidades muito diferentes. Em 50 minutos de aula, é quase impossível atender adequadamente um grupo tão heterogêneo”, afirma Mauro Romano, responsável pelo projeto na Seduc.
Para a formação das turmas, as escolas utilizaram o desempenho dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática no Saresp de 2025. Aqueles com resultados dentro do esperado permaneceram nas chamadas turmas de nível padrão, enquanto estudantes com defasagem média ou alta foram direcionados às turmas de nível adaptado.

A secretaria afirma que os alunos serão monitorados ao longo do ano e poderão mudar de turma ao alcançar o nível esperado. O subsecretário pedagógico Daniel Barros destaca que o currículo será o mesmo para todos, com a diferença no ritmo das aulas. “Os alunos não vão aprender coisas diferentes. Vão aprender o mesmo conteúdo, só que em um outro ritmo”, diz.
O projeto está sendo aplicado em escolas onde a distorção série-aprendizagem é mais crítica, em municípios da região metropolitana, do interior e do litoral paulista, como Osasco, São José dos Campos e Santos. Na capital, unidades da zona sul foram selecionadas.
Questionado sobre o risco de estigmatização dos alunos das turmas adaptadas, Daniel Barros reconhece a possibilidade, mas afirma que as escolas atuarão para evitar o problema. Ele ressalta que, no modelo tradicional, estudantes com defasagem já enfrentam estigmas por não conseguirem acompanhar o ritmo da sala.
Dados da pasta indicam que a maior defasagem ocorre no 9º ano, onde 85% dos alunos apresentam nível de aprendizagem abaixo do esperado. No 6º ano, cerca de metade dos estudantes teria déficit médio ou alto. Avaliações ao longo do ano servirão de base para medir os resultados do projeto e embasar uma eventual ampliação do modelo.
Fonte: METRÓPOLES



