O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), apresentou ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) uma notícia-crime contra a Acadêmicos de Niterói nesta quarta-feira (18/2), após o desfile da escola em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no domingo (15/2), na Marquês de Sapucaí. A ação é motivada por suposta prática de intolerância religiosa.
Durante o desfile, uma ala da agremiação representou “neoconservadores” dentro de latas, o que, segundo Zema, ridicularizou a comunidade evangélica. Na madrugada de segunda-feira (16/2), o governador publicou na rede social X que ingressaria com ação judicial, alegando que a apresentação ultrapassou os limites da liberdade artística: “O Brasil é um país de muita fé. São mais de 50 milhões de evangélicos… Agora eu vejo uma ala desse desfile do Lula colocando evangélico dentro de lata, como se fosse caricatura. Isso não é arte, isso é desrespeito”.
Na notícia-crime, Zema pede a apuração de crime previsto na Lei do Racismo, que inclui discriminação por motivo de religião em contextos artísticos ou culturais. O governador solicita que sejam investigados o presidente da escola, Wallace Palhares, o presidente de honra, Anderson José Rodrigues, e o diretor carnavalesco Tiago Martins. O documento afirma que a escola “destaca expressamente que as pessoas que professam a religião evangélica seriam rotuladas como ‘de extrema direita’, sendo menosprezadas numa forma de fantasia de latas de conserva”.
O uso das fantasias, que retratava famílias “em conserva”, já havia gerado críticas de setores evangélicos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e da oposição, que publicaram montagens de protesto nas redes sociais.
A Acadêmicos de Niterói levou à avenida o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, em tributo a Lula. Este foi o primeiro ano da escola no Grupo Especial, e após a apuração, a agremiação foi rebaixada para a Série Ouro de 2027.
Em nota, a escola explicou que as pessoas fantasiadas de latas representam os “neoconservadores”, definidos como grupos que se opõem a Lula, incluindo defensores do agronegócio, da Ditadura Militar e setores evangélicos. Segundo a escola, a fantasia critica a defesa da “família tradicional”, formada exclusivamente por homem, mulher e filhos, e busca representar grupos contrários às pautas defendidas pelo presidente.
Fonte: METRÓPOLES


