Funcionário do Metrô é demitido após ignorar denúncia de assédio e culpar vítima

Um funcionário do Metrô de São Paulo foi demitido após se recusar a prestar apoio a uma passageira que denunciou ter sido vítima de assédio sexual dentro de um trem da Linha 3–Vermelha, na região central da capital, na última quarta-feira (24/2).

Vídeos divulgados pela página São Paulo Sobre Trilhos mostram o momento em que passageiras confrontam o trabalhador após a denúncia. Nas imagens, uma mulher cobra providências e afirma que o funcionário comentou sobre a roupa da vítima. “Mas olhar a bunda dela, você olha, né? Estava falando do short dela”, diz a passageira.

O funcionário responde: “Lógico, as minas andam quase peladas aí”. Outras mulheres reagem imediatamente, defendendo a vítima. “Ela tem que andar do jeito que ela quiser. É direito dela andar do jeito que ela quiser. Então, por que você não foi homem de tirar?”, questionam, criticando a ausência de ação diante da situação.

Em nota, o Metrô informou que o colaborador envolvido no caso, ocorrido na Estação Sé, foi desligado por adotar conduta incompatível com as diretrizes da companhia em um episódio considerado grave, que exige acolhimento e respeito à vítima. A empresa pediu desculpas à passageira e aos demais usuários e reforçou que não tolera qualquer tipo de assédio nem desvios dos protocolos de atendimento, que incluem treinamento anual para acolhimento humanizado e acionamento da rede de segurança.

O Sindicato dos Metroviários de São Paulo também se manifestou, expressando solidariedade à passageira e repudiando a conduta relatada. A entidade destacou que os trabalhadores recebem treinamento para lidar com casos de importunação sexual. O sindicato informou ainda que o funcionário era de uma empresa terceirizada e criticou a forma como o episódio foi divulgado, afirmando que a terceirização precariza as condições de trabalho e pode comprometer a qualidade do atendimento aos usuários.

Fonte: METRÓPOLES