Ex-PM acusado de golpe milionário vive rotina de luxo na Europa enquanto responde à Justiça no Brasil

O ex-soldado da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) Djair Oliveira de Araújo, investigado por um suposto golpe milionário que teria causado prejuízo estimado em R$ 30 milhões — inclusive a policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) — atualmente vive na Europa enquanto responde a processo criminal no Brasil.

De acordo com informações da coluna Na Mira, Djair fixou residência na Espanha e mantém uma rotina considerada confortável ao lado da esposa, Vanessa Dias Rigueto. Vídeos obtidos pela coluna mostram o casal viajando por diferentes destinos europeus, com registros de passeios, viagens e momentos de lazer.

As imagens revelam deslocamentos de trem por regiões montanhosas e vilarejos históricos do continente. Em alguns registros, Djair e Vanessa aparecem em vagões panorâmicos enquanto filmam paisagens cobertas de neve, casas de pedra e pequenas estações ferroviárias típicas de áreas rurais da Europa.

Os vídeos também mostram momentos de descontração durante os trajetos, com o casal comentando sobre os destinos visitados.

A rotina registrada nas imagens contrasta com declarações dadas por Djair durante audiência judicial realizada por videoconferência. Na ocasião, o ex-policial afirmou estar trabalhando como “metalúrgico” e “pedreiro” para se manter no exterior.

Outros vídeos mostram o casal em estações de esqui europeias, caminhando entre turistas, restaurantes e lojas de destinos de inverno. Em algumas gravações, Vanessa registra Djair observando a paisagem montanhosa enquanto comenta sobre o frio e o cenário ao redor.

Além das regiões alpinas, os registros também indicam passagens por grandes cidades europeias. Entre elas está Paris, onde o casal aparece caminhando por ruas movimentadas da capital francesa.

Enquanto mantém a rotina no exterior, Djair responde no Brasil a uma ação penal envolvendo a empresa Dektos Investimentos Ltda. Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPERJ), ele e outras três pessoas teriam participado da captação de investidores com promessa de rentabilidade mensal de até 5%.

Além do ex-policial, também foram denunciados:

Vanessa Dias Rigueto, esposa de Djair
Luan Oliveira de Moura, irmão do ex-PM
Veronica Oliveira de Araújo, ex-funcionária da empresa

De acordo com a investigação, Djair, Vanessa e Luan atuavam na captação de investidores, enquanto Veronica seria responsável pela estrutura administrativa da empresa.

A Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva dos investigados, além de mandados de busca e apreensão e bloqueio de contas bancárias ligadas aos envolvidos e à empresa.

Segundo relatos das vítimas reunidos na investigação, a Dektos prometia pagamento mensal equivalente a 5% do valor investido. Um dos casos citados envolve um investidor que começou aplicando R$ 50 mil e, após receber os pagamentos iniciais, decidiu aumentar o aporte.

Em março de 2023, ele já havia investido R$ 460 mil e passou a receber cerca de R$ 35 mil mensais. No entanto, a partir de setembro daquele ano os valores começaram a diminuir.

Ao procurar Djair, o investidor teria sido informado de que os pagamentos voltariam ao normal em três meses, o que não aconteceu. Em janeiro de 2024, ele solicitou o resgate do valor total investido, que somava R$ 592 mil, mas não recebeu o dinheiro de volta.

Segundo as investigações, a reputação de Djair dentro da Polícia Militar ajudou a atrair investidores, incluindo policiais militares, ex-policiais e profissionais liberais. Alguns deles chegaram a vender imóveis ou contrair empréstimos consignados para aplicar recursos no negócio.

Antes de deixar a corporação, Djair já chamava atenção nas redes sociais ao publicar fotos e vídeos exibindo carros superesportivos, viagens internacionais, restaurantes de luxo e hospedagens em hotéis de alto padrão.

Essas publicações ajudavam a construir a imagem de um trader bem-sucedido no mercado financeiro. Para reforçar a credibilidade da empresa, ele montou um escritório da Dektos Investimentos em um prédio comercial no bairro Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

No local, recebia investidores e apresentava supostas estratégias de operação no mercado financeiro, afirmando conseguir ganhos de até R$ 20 mil por dia negociando ativos como dólar futuro e outros produtos.

Segundo depoimentos colhidos pela investigação, Djair também se aproximou de policiais do Bope. Em vídeos publicados nas redes sociais, ele chegou a utilizar o símbolo da unidade — a faca na caveira — em conteúdos motivacionais.

Após o desaparecimento dos recursos, cerca de 20 investidores criaram um grupo de WhatsApp para trocar informações e tentar recuperar o dinheiro perdido.

Entre os relatos estão perdas que chegam a centenas de milhares de reais. Um ex-policial militar afirma ter investido R$ 330 mil no negócio após confiar no antigo colega de farda. Outro caso envolve um engenheiro civil que diz ter perdido R$ 595 mil.

As investigações seguem em andamento, enquanto as vítimas aguardam decisões judiciais que possam permitir a recuperação de parte dos valores investidos.

Fonte: METRÓPOLES