Uma investigação revelou um suposto esquema envolvendo policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Praça do Inter, no Complexo da Penha, e integrantes do Comando Vermelho (CV) para simular apreensões de drogas no Rio de Janeiro.
De acordo com a apuração, dados telemáticos extraídos de equipamentos eletrônicos usados por Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso — considerado o traficante mais procurado do estado — indicam uma parceria entre policiais e o grupo criminoso. O caso motivou uma operação policial realizada nesta quarta-feira (11/3).
Entre as provas analisadas está uma conversa registrada em 13 de março de 2025. No diálogo, Washington Cesar Braga da Silva, conhecido como Grande, relata a Doca que recebeu uma ligação de um major da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) solicitando o fornecimento de drogas para simular uma apreensão policial.
Segundo Grande, o pedido teria sido feito após o oficial ser cobrado pela Coordenação de Polícia Pacificadora (CPP).

De acordo com os investigadores, o contato foi feito por ligação de voz, e não por mensagens, o que indicaria uma tentativa de evitar registros digitais da negociação.
A investigação, conduzida pelos delegados Vinicius Miranda de Moraes e Pedro Cassundé, aponta que o major buscava evitar deixar rastros escritos ou gravações da tratativa ilícita, o que reforça a suspeita de conluio entre policiais da UPP da Vila Cruzeiro e traficantes da região.
Na conversa interceptada, Doca concorda com o pedido e orienta Grande a buscar 70 quilos de maconha com um integrante da facção conhecido pelo apelido de “Deu”. O traficante também instrui que fosse lembrado ao comparsa que a droga seria usada em uma apreensão simulada.
A operação mencionada no diálogo ocorreu seis dias depois, em 19 de março.
Na ocasião, Grande informou a Doca que alguém havia “agradecido” e enviou um vídeo mostrando a apreensão realizada por policiais militares, na qual apareciam grandes quantidades de drogas e um simulacro de fuzil desmontado.
Segundo o laudo da ocorrência, mais de 60 quilos de maconha e pouco mais de dois quilos de cocaína foram apreendidos — volume semelhante ao autorizado por Doca na conversa registrada dias antes.
Fonte: METRÓPOLES



