Gilmar Mendes admite erro ao citar homossexualidade em crítica a Zema e pede desculpas

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, reconheceu nesta quinta-feira (23) que errou ao relacionar a homossexualidade a uma crítica dirigida ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A declaração foi feita após repercussão de uma entrevista concedida ao portal Metrópoles.

Durante a entrevista, ao comentar a inclusão de Zema no inquérito das fake news, Mendes utilizou um exemplo hipotético que gerou controvérsia. “Imagine que comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo?”, disse o ministro na ocasião.

Horas depois, diante da repercussão, Gilmar Mendes recuou e publicou um pedido de desculpas nas redes sociais. “Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema”, afirmou. “Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”, completou.

O episódio ocorre no contexto do inquérito das fake news, investigação aberta em 2019 pelo STF para apurar a disseminação de informações falsas, ameaças e ataques contra ministros da Corte e o sistema democrático. Nesta semana, Gilmar solicitou ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, a inclusão de Zema na apuração, alegando que um vídeo publicado pelo político “vilipendia” a honra do Supremo e de seus integrantes.

No conteúdo citado, divulgado em março, Zema critica o STF e os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, retratando-os como fantoches. Segundo interlocutores da Corte, Moraes encaminhou o caso para manifestação da Procuradoria-Geral da União (PGR).

Em entrevista à GloboNews na segunda-feira (20), Zema afirmou não ter sido notificado sobre o pedido de inclusão no inquérito e criticou o procedimento. “Parece que tem sido um modus operandi do Supremo […] sem dar o devido direito de defesa”, declarou.

O caso reacende debates sobre os limites da crítica institucional, o papel do STF e as controvérsias em torno do inquérito das fake news, frequentemente alvo de questionamentos sobre sua condução e alcance.

Fonte: G1