A Prefeitura de Sorocaba, no interior de São Paulo, é alvo de novas acusações envolvendo a polêmica do suposto “buraco fake” usado em vídeo do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), conhecido nas redes sociais como “prefeito tiktoker”.
Segundo um dossiê elaborado por servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e obtido pelo Metrópoles, funcionários da autarquia teriam sido convocados para uma reunião com o objetivo de identificar e intimidar os responsáveis pelas denúncias encaminhadas ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).
O documento afirma que um dos denunciantes estaria sendo pressionado internamente e submetido a avaliação disciplinar após participar das revelações sobre a operação.
“Ele está em avaliação de ‘disciplina’ e ‘responsabilidade’. Pressioná-lo nesse período é tentativa de condicionar sua efetivação ao silêncio”, diz trecho do relatório.
A polêmica começou após denúncias de que a administração municipal teria ordenado a abertura de um buraco em uma rua apenas para gravação de um vídeo publicado nas redes sociais do prefeito. O conteúdo viralizou e ultrapassou seis milhões de visualizações no Instagram.
No vídeo, Rodrigo Manga aparece em meio a máquinas do Saae e servidores municipais. Em determinado momento, ele empurra uma pessoa dentro do buraco durante a gravação.
Segundo o dossiê, foram identificados três registros falsos de atendimento e pelo menos sete ordens de serviço supostamente fraudulentas para justificar a mobilização da estrutura pública.
O relatório aponta ainda que sete veículos e 15 funcionários de quatro equipes diferentes teriam sido utilizados para abrir, molhar, filmar e fechar o buraco, sem necessidade técnica para a intervenção.
Os cálculos apresentados no documento estimam prejuízo de aproximadamente R$ 19,7 mil aos cofres públicos, incluindo aluguel de maquinário, combustível, caminhões e pagamento das equipes envolvidas.
O material deverá embasar duas denúncias já registradas no Ministério Público contra a administração municipal.
Procurada, a Prefeitura de Sorocaba não respondeu às novas acusações até a publicação da reportagem. Em manifestação anterior, a gestão afirmou que a obra ocorreu após solicitação regular de manutenção na rede de esgoto e que todas as ordens de serviço seguiram os protocolos internos da autarquia.
Posteriormente, a prefeitura enviou ao Metrópoles uma imagem do suposto registro correto do serviço, indicando que a intervenção teria sido motivada por manutenção de esgoto.
Fonte: METRÓPOLES


