Grupo bolsonarista reserva Avenida Paulista antes e força sindicatos a mudarem ato de 1º de Maio

A realização dos atos de 1º de Maio em São Paulo virou motivo de disputa entre movimentos sindicais e grupos ligados à direita após a Avenida Paulista ser reservada com antecedência pelo movimento Patriotas do QG.

Segundo a Polícia Militar, o pedido para realização do evento foi protocolado em setembro de 2024, quase dois anos antes da manifestação marcada para esta quinta-feira (1º). A corporação afirmou que seguiu o critério de ordem cronológica para autorizar o uso do espaço público.

Com isso, a central sindical CSP-Conlutas, que havia solicitado a realização do ato na Paulista apenas em março deste ano, teve o pedido negado e precisou transferir a manifestação para a Praça da República, no centro da capital paulista.

A decisão foi comunicada aos organizadores na última sexta-feira (24), durante reunião entre representantes dos movimentos, Prefeitura e Polícia Militar. O Movimento Intersindical também alterou o local do ato e remarcou a concentração para a Praça Roosevelt. Já os grupos A Voz da Nação e Marcha da Liberdade decidiram unificar seus eventos com o do Patriotas do QG.

Outro grupo confirmado para o dia é o Movimento Ekballo, ligado a manifestação religiosa, que anunciou concentração na Paulista às 19h.

O Patriotas do QG é administrado pelo corretor de imóveis Carlos Silva e reúne cerca de 4 mil seguidores nas redes sociais. O perfil publica conteúdos de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pedidos de liberdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O movimento também divulga vídeos produzidos com inteligência artificial convocando participantes para o ato.

Os organizadores estimam a presença de 35 mil pessoas na manifestação, além de senadores, deputados federais e estaduais, embora lideranças da direita ainda não tenham confirmado participação oficialmente.

Durante a reunião de alinhamento, a Polícia Militar alertou para a possibilidade de tensão entre grupos políticos caso os atos ocorressem próximos uns dos outros. Segundo a corporação, o Batalhão de Choque poderia ser acionado para desobstrução da via e eventual comunicação ao Ministério Público.

A CSP-Conlutas criticou a decisão e afirmou que a mudança de local representa “grave ataque ao direito de manifestação da classe trabalhadora justamente no Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores”, além de favorecer setores da extrema direita.

Em nota, a Polícia Militar declarou que os movimentos orientados a mudar o local reconheceram a prioridade dos pedidos protocolados anteriormente.

Fonte: METRÓPOLES