Uma investigação policial aponta que um ex-assessor da gestão João Doria (PSDB) pode ter atuado para agilizar a autorização de pouso de um helicóptero no Palácio dos Bandeirantes, em março de 2022, para um suposto integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) ir a um jogo de futebol.
Segundo documentos obtidos pela Polícia e enviados à Justiça, o nome de Adriano Guimarães Simões, ex-assessor do então secretário de Desenvolvimento Regional Marco Vinholi (Republicanos), apareceu entre os contatos do celular de Thiago Rocha (PSD), preso nesta segunda-feira (27) sob suspeita de integrar o chamado “núcleo político” da facção criminosa.
A investigação mostra que, em 10 de março de 2022, dia do clássico entre São Paulo e Palmeiras no Morumbi, Thiago recebeu uma mensagem de João Gabriel de Mello Yamawaki, apontado como suposto integrante do PCC, pedindo ajuda para utilizar o heliponto do Palácio dos Bandeirantes.
De acordo com a representação policial, Thiago respondeu dizendo que afirmaria ao Palácio que uma “delegação do Japão” estaria na aeronave para facilitar a autorização do pouso. Em seguida, afirmou ter conseguido contato com o “gabinete do secretário Marco Vinholi” e que enviaria os dados à Casa Militar.
Menos de seis horas depois do pedido inicial, João Gabriel recebeu um print de um e-mail do Núcleo de Aviação da Casa Militar autorizando o pouso. Após a confirmação, Thiago escreveu: “Quero mais dois mil reais caralho”, segundo o documento da investigação.
A rapidez do processo chamou a atenção dos investigadores. O delegado Fabricio Intelizano destacou no relatório que as tratativas começaram às 8h58 e a autorização foi concedida às 14h23 do mesmo dia.
Apesar da citação ao então secretário Marco Vinholi, a Polícia afirma que não há elementos para concluir que ele tenha participado diretamente do pedido, já que o contato dele não foi localizado no celular de Thiago. Ainda assim, um número salvo como “Adriano Deputado Vinholi” foi encontrado no aparelho do suspeito.
Para os investigadores, isso “pode indicar” que Adriano seria o responsável por agilizar o uso das dependências do Palácio por um integrante da facção criminosa. O relatório também questiona se houve verificação mínima das informações apresentadas para liberar o pouso e levanta a possibilidade de eventual conivência de servidores públicos.
Procurado, Adriano negou qualquer envolvimento. Ele afirmou que deixou o Palácio em 2021 e disse não conhecer Thiago Rocha. Segundo o ex-assessor, seu contato era amplamente compartilhado por prefeitos e vereadores devido à função que exercia no governo estadual.
Em nota, a assessoria de Marco Vinholi afirmou que o ex-secretário “desconhece completamente o assunto” e ressaltou que sua pasta não tinha responsabilidade sobre o heliponto do Palácio, atribuição da Casa Militar.
O governo Tarcísio de Freitas declarou que, desde 2023, nenhum pouso foi autorizado em nome de João Gabriel de Mello Yamawaki e afirmou não ter relação com o episódio. Já João Doria informou, por meio de assessoria, que não comentará o caso.
Fonte: METRÓPOLES


