O lançamento do novo Adizero Adios Pro Evo 3, da Adidas, reacendeu discussões sobre o chamado “doping tecnológico” no atletismo após resultados históricos registrados na Maratona de Londres, disputada no último domingo (26).
Pesando apenas 97 gramas, o modelo foi utilizado pelos corredores Sabastian Sawe e Tigst Assefa, vencedores da prova masculina e feminina. O queniano entrou para a história ao completar oficialmente uma maratona em menos de duas horas, enquanto a etíope bateu o recorde mundial feminino com o tempo de 2h15min41s.
O desempenho dos atletas colocou o tênis no centro de uma discussão cada vez mais frequente no esporte: até que ponto a tecnologia pode influenciar diretamente os resultados das competições.
O modelo da Adidas custa cerca de US$ 500, aproximadamente R$ 2.500, e ficou conhecido nas redes sociais e entre especialistas como “supertênis”. O calçado traz espuma ultraleve com tecnologia Energyrim e promete melhorar em 1,6% a economia de corrida, além de oferecer 11% a mais de retorno de energia no antepé em comparação com a versão anterior.
Segundo a fabricante, o Adizero é 30% mais leve que o modelo antecessor, característica considerada decisiva em provas de longa distância.
Enquanto parte do público vê a evolução como consequência natural da modernização do esporte, críticos argumentam que o avanço tecnológico pode criar desequilíbrio competitivo, favorecendo atletas que possuem acesso aos equipamentos mais avançados.
A discussão não é nova. Nos últimos anos, o atletismo passou a conviver com debates semelhantes após o avanço de tecnologias aplicadas a tênis de corrida, especialmente modelos com placas de carbono e espumas de alta resposta energética.
Para tentar evitar distorções, a World Athletics estabeleceu regras específicas para os calçados utilizados em competições oficiais. Entre as restrições estão limites para altura da entressola e uso de determinadas tecnologias.
Mesmo assim, as grandes fabricantes adaptam os lançamentos para permanecer dentro das normas, mantendo espaço para inovação sem correr o risco de proibição nos principais torneios do mundo.
O caso reforça uma nova era nas corridas de elite, em que desempenho físico e avanço tecnológico caminham cada vez mais próximos.
Fonte: METRÓPOLES


