Após derrota de Messias, Lula pode “dobrar aposta” e avaliar indicação de mulher negra ao STF

Após a rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode recalcular sua estratégia para a próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), segundo análise política. Entre as possibilidades em discussão, estaria a escolha de uma mulher negra para a vaga.

A avaliação surge no contexto da derrota de Messias na Casa Legislativa, que expôs resistência ao nome indicado pelo governo e ampliou a tensão entre Executivo e Senado. O episódio também reacendeu debates sobre a correlação de forças políticas no processo de indicações ao Supremo.

Entre os nomes citados como possível alternativa estaria o da juíza federal Adriana Cruz, do Rio de Janeiro, que atua em vara especializada em lavagem de dinheiro, já integrou o gabinete do ex-ministro Luís Roberto Barroso e participa do Observatório de Direitos Humanos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A análise política aponta que uma eventual escolha com recorte de gênero e raça poderia ter impacto no cenário político e institucional, especialmente após a rejeição de um indicado com perfil evangélico. Durante a sabatina de Messias, senadores já haviam explorado aspectos de sua atuação jurídica, incluindo posicionamentos da Advocacia-Geral da União em temas sensíveis como aborto.

O texto também menciona que aliados do governo avaliam que uma nova indicação poderia ser alvo de resistência no Senado, especialmente diante do fortalecimento de articulações políticas contrárias ao Planalto.

No campo político, a derrota de Messias foi interpretada como reflexo de articulações no Congresso e da atuação de lideranças do Senado na condução da votação, em meio a disputas entre governo e oposição.

O cenário abre incertezas sobre os próximos passos do governo na definição do nome que substituirá o ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.

Fonte: VALOR