Segundo informações atribuídas a seis fontes ouvidas por uma coluna jornalística — entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), do Congresso e agentes do meio político e jurídico — o ministro Alexandre de Moraes teria atuado nos bastidores contra a indicação de Jorge Messias ao STF, durante a votação que terminou em derrota para o indicado do governo no Senado.
De acordo com esses relatos, Moraes teria reforçado articulações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em favor da rejeição de Messias, incluindo o acionamento de emissários para transmitir recados a senadores com processos em tramitação no Supremo ou com interlocução política ligada ao ministro.
A movimentação teria ocorrido em meio à articulação já conduzida por Alcolumbre e por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que também atuaram pela rejeição da indicação de Messias ao STF, segundo as mesmas fontes.
Ainda conforme os relatos, a atuação atribuída a Moraes teria se dado em um contexto de disputa interna no Supremo e no campo político, com reflexos na correlação de forças da Corte. O nome de Messias era apoiado pelo ministro André Mendonça, que atuou junto a parlamentares para tentar viabilizar sua aprovação no Senado.
Mendonça, relator do inquérito do caso Master, também seria figura central no cenário citado, já que a delação premiada de investigados pode ter impacto em diferentes frentes do Supremo. Ele teria sido um dos principais articuladores em favor de Messias junto a parlamentares, especialmente do campo conservador.
Os relatos ainda indicam que a eventual chegada de Messias ao STF poderia alterar equilíbrios internos da Corte, o que teria sido considerado no contexto da votação.
Após a derrota no Senado, que resultou em 42 votos contrários e 34 favoráveis à indicação, o ministro André Mendonça publicou mensagem de solidariedade a Messias nas redes sociais, afirmando que o Brasil teria perdido a oportunidade de contar com um “grande ministro do Supremo” e elogiando a atuação do colega.
Fonte: OGLOBO


