Tenente-coronel acusado de matar esposa PM divide cela com outros policiais em presídio militar

O tenente-coronel Geraldo Neto, acusado de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves, está preso há mais de um mês no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, ele divide cela com outros três policiais militares e segue no regime fechado da unidade.

Gisele Alves, de 32 anos, morreu em 18 de fevereiro dentro do apartamento do casal, no Brás, região central da capital paulista, após ser atingida por um tiro na cabeça. De acordo com o Ministério Público, a soldado queria se separar, mas o marido não aceitava o fim do relacionamento.

O oficial nega o crime e afirma que a esposa tirou a própria vida após ele pedir o divórcio. Apesar da versão apresentada, a Justiça decretou a prisão preventiva do militar, que responde por feminicídio e fraude processual.

Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Geraldo Neto está na ala destinada aos presos do primeiro estágio do regime fechado, considerado o setor mais restritivo do presídio. Nessa fase, os detentos têm circulação limitada, podendo sair da cela basicamente para banho de sol e atendimentos.

A rotina no Romão Gomes inclui três refeições principais — café da manhã, almoço e jantar — além de duas refeições complementares ao longo do dia. Os internos também têm direito a duas horas diárias de banho de sol, assistência médica, psicológica, social e religiosa, além de visitas familiares.

Vídeos obtidos pela TV Globo mostram o momento em que o tenente-coronel chegou ao presídio e foi recebido com abraços por outro policial militar. A corporação não informou se esse tipo de recepção é comum na unidade.

O advogado do oficial afirmou que ele pode avançar para um estágio menos restritivo, dependendo de avaliações internas e comportamento dentro da prisão. Segundo a PM, todos os presos passam inicialmente pelo chamado “estágio vermelho” por no mínimo 30 dias.

O Presídio Militar Romão Gomes, criado em 1949, é a única unidade prisional do estado destinada exclusivamente a policiais militares. Atualmente, abriga cerca de 250 detentos e já recebeu nomes envolvidos em casos criminais de grande repercussão, como Mizael Bispo, Cabo Bruno e o ex-PM conhecido como “Rambo”.

As investigações apontam que Geraldo Neto teria tentado simular um suicídio. Laudos periciais e mensagens encontradas no celular do acusado indicariam um histórico de comportamento controlador e violência doméstica. Em conversas, segundo o Ministério Público, ele se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa fosse uma “fêmea beta”.

Além disso, imagens de câmeras corporais de policiais que atenderam a ocorrência colocaram em dúvida a versão apresentada pelo oficial.

Mesmo aposentado pela corporação no início de abril, Neto continuará recebendo salário. Em fevereiro deste ano, antes da prisão, o valor bruto registrado no Portal da Transparência do Governo de São Paulo era de R$ 28,9 mil.

Na quarta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a Justiça comum será responsável pelo julgamento do caso.

Fonte: G1