Derrota histórica trava STF: Senado resiste a novo indicado de Lula

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda repercute no Congresso e já provoca um impasse político. Senadores avaliam que não há ambiente para analisar uma nova indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indicando um travamento institucional em pleno ano eleitoral.

Messias foi barrado na semana passada por 42 votos contrários e 34 favoráveis, em uma derrota considerada histórica para o governo. Nos bastidores, a articulação é atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que segue como peça-chave na definição dos próximos passos.

Parlamentares próximos a Alcolumbre afirmam que nenhum novo nome deve ser analisado antes das eleições de outubro. A única exceção ventilada seria a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), preferido do presidente do Senado para o STF. No entanto, Pacheco é visto por Lula como peça estratégica para disputar o governo de Minas Gerais, o que dificulta essa alternativa.

Apesar da resistência, aliados do presidente defendem que Lula faça uma nova indicação rapidamente. A estratégia seria, inclusive, escolher uma mulher para o cargo, o que poderia aumentar a pressão política sobre o Senado e dificultar uma nova rejeição.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP) afirmou nesta segunda-feira (4) que o presidente já trabalha na definição de um novo nome, ao mesmo tempo em que lamentou a rejeição de Messias e destacou o impacto da vacância no STF, que já enfrenta sobrecarga de processos.

No cenário atual, Alcolumbre não demonstra disposição para acelerar o processo. Mesmo que Lula formalize uma nova indicação, o presidente do Senado pode retardar o andamento ao segurar o envio à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável pela sabatina.

O calendário político também pesa: parlamentares citam a proximidade das festas juninas, da Copa do Mundo e o esvaziamento do Congresso durante o período eleitoral como fatores que dificultam qualquer avanço.

Enquanto isso, integrantes da base governista avaliam que uma nova indicação pode servir como instrumento político, reforçando o discurso de que o Senado atua para barrar iniciativas do Executivo. Ainda assim, interlocutores dos dois lados reconhecem que o cenário pode mudar caso Lula e Alcolumbre retomem o diálogo e construam um acordo que atenda interesses mútuos.

Fonte: CNN