Câmara de Guarulhos debate avanço de cibercrimes contra crianças e faz alerta às famílias

A Câmara Municipal de Guarulhos promoveu nesta terça-feira (19) uma palestra sobre prevenção de cibercrimes contra crianças e adolescentes. O encontro, organizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, reuniu autoridades da segurança pública, Ministério Público, profissionais da saúde e representantes da sociedade civil para discutir os riscos crescentes no ambiente digital.

Durante a abertura, o presidente da comissão, vereador Welliton Bezerra, afirmou que o debate busca fortalecer ações de proteção à infância. A vereadora Carlinda Tinôco destacou a importância da orientação constante às famílias, enquanto o vereador Daniel Santos defendeu união permanente da sociedade no combate à violência infantojuvenil.

Representando a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o delegado Cláudio Paganotto de Araújo alertou para o aumento dos abusos praticados por plataformas digitais e reforçou a necessidade de monitoramento familiar. Segundo ele, pais e responsáveis precisam acompanhar de perto os conteúdos acessados pelas crianças e adolescentes, além das interações mantidas na internet.

A primeira-tenente médica da Polícia Militar Ana Paula Bonanno afirmou que o combate à violência sexual infantil deve ocorrer de forma contínua e não apenas durante campanhas específicas, como o Maio Laranja. Ela defendeu ações educativas para que crianças consigam identificar situações de abuso e procurem ajuda.

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O vice-prefeito Thiago Surfista também participou do encontro e afirmou que o enfrentamento à pedofilia e aos crimes virtuais exige posicionamento firme de toda a sociedade. Segundo ele, o silêncio e a omissão contribuem para a continuidade dos crimes e para os traumas sofridos pelas vítimas.

Dados apresentados pela promotora da Infância e Juventude Natalie Riskalla Galvão revelaram números preocupantes. Apenas no último ano, o Brasil registrou 247 mil casos de violência contra crianças e adolescentes, sendo quase 60 mil de violência sexual. Em Guarulhos, foram contabilizados 1.896 casos de violência infantojuvenil, incluindo 775 ocorrências de violência sexual. A promotora também destacou a subnotificação e alertou para a migração dos crimes para o ambiente virtual.

Um dos momentos mais impactantes da palestra foi o relato da delegada Lisandréia Salvariego, da Polícia Civil. Ela explicou que equipes especializadas atuam infiltradas em plataformas digitais para combater crimes como indução à automutilação, suicídio, abuso sexual infantojuvenil e ataques planejados em escolas. Segundo a delegada, a maioria dos casos acontece na chamada “surface web”, em aplicativos e plataformas populares entre crianças e adolescentes, como Discord, TikTok, Roblox, Telegram, Minecraft e Free Fire.

Lisandréia relatou casos de crianças coagidas a praticar automutilação ao vivo diante de centenas de espectadores e afirmou que criminosos usam manipulação emocional para conquistar a confiança das vítimas. Ela também criticou a falta de acompanhamento familiar e afirmou que mudanças de comportamento, isolamento, alterações no rendimento escolar e ideação suicida podem ser sinais de alerta.

Ao encerrar a palestra, a delegada reforçou o papel das famílias na prevenção e pediu que comportamentos considerados comuns não sejam banalizados. Segundo ela, o acesso ilimitado às telas e o isolamento prolongado de crianças e adolescentes exigem atenção constante dos responsáveis.