Professora da Faetec descobre registro como “presidente da República” e salário de R$ 1,6 mil

Uma professora da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec) descobriu que, em sua carteira de trabalho digital, chegou a ser registrada como “presidente da República” durante o período em que atuou na instituição, entre 2011 e 2015, na unidade de Marechal Hermes, Zona Norte do Rio. No mesmo período, ela também teve registros como engenheira elétrica e dirigente de serviço público federal, embora seu cargo real fosse o de professora de inglês.

Segundo Patrícia Tavares, o salário declarado no vínculo era de R$ 1,6 mil brutos, valor considerado muito abaixo do que recebem professores concursados, mesmo com sua formação acadêmica. Ela afirma ter identificado o erro apenas em 2021, durante a pandemia, e desde então tenta corrigir os registros.

A professora relata que nunca teve a carteira assinada corretamente como docente e afirma que a inconsistência compromete sua vida profissional, dificultando a comprovação de experiência e a obtenção de novos empregos. Ela também diz temer prejuízos na aposentadoria e afirma estar sem atuação profissional regular desde então.

De acordo com o relato, mais de 11 mil contratos temporários da Faetec, firmados sem edital público, foram analisados pelo Tribunal de Contas do Estado. Em alguns casos, documentos apresentados pela instituição em resposta a solicitações teriam inconsistências, incluindo assinatura atribuída a uma auxiliar de serviços gerais.

Atualmente, após atualizações no sistema, os registros da professora aparecem como “ocupação não informada”. Ela afirma que a situação gerou impacto emocional e profissional, e que busca apoio da Defensoria Pública do Rio de Janeiro e da União para corrigir o histórico funcional.

A Faetec informou que a professora consta corretamente na folha de pagamento como docente e que emitiu declaração em 2024. A instituição atribui a divergência a possível inconsistência no Código Brasileiro de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego. O Ministério do Trabalho foi procurado e ainda não se manifestou.

Fonte: G1