Walter Casagrande Júnior voltou a falar abertamente sobre a luta contra a dependência química e revelou como enxergava a própria vida no período mais crítico do uso de drogas. Aos 63 anos, o ex-jogador e comentarista afirmou que acreditava estar vivendo a liberdade, mas hoje entende que havia perdido completamente o controle.
Em entrevista ao Metrópoles, Casagrande relembrou um episódio citado no livro autobiográfico Casagrande e Seus Demônios, quando ligou para o cantor Frejat durante uma crise emocional para perguntar: “Por que a gente é assim?”. Segundo ele, naquele momento estava profundamente deprimido e consumindo drogas de forma intensa.
“Eu estava muito mal. Estava me drogando muito, estava depressivo, eu não sabia mais o que estava acontecendo com a minha vida”, afirmou o comentarista.
Casagrande explicou que, na época, não compreendia o que era dependência química nem compulsão. A percepção só mudou após passar um ano internado em tratamento e revisitar a própria trajetória pessoal.
Conhecido como “Casão”, ele disse que sempre teve um forte instinto de liberdade, mas admite que confundia esse sentimento com ausência total de limites. “Eu achava que tinha que fazer tudo para ser livre. Na realidade, não é assim o uso da liberdade. A gente tem que colocar um limite na nossa liberdade”, avaliou.
O tema volta ao centro da carreira do ex-atacante com o monólogo autobiográfico Na Marca do Pênalti, que estreia nesta terça-feira (26), no Sesc Pompeia, em São Paulo. Assim como o livro lançado em 2013, o espetáculo não segue um roteiro fixo nem uma ordem cronológica.
Casagrande afirmou que a apresentação funciona quase como uma conversa com o público, construída a partir das emoções do momento. Segundo ele, cada sessão pode tomar caminhos diferentes conforme a energia da plateia.
Ídolo da Democracia Corintiana e integrante da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986, Casagrande também comparou a tensão do palco à pressão vivida no futebol. Para ele, disputar finais em estádios lotados causava um frio na barriga ainda maior do que se apresentar no teatro.
Apesar do nervosismo, o comentarista acredita que o palco oferece uma diferença importante: no teatro, erros podem ser corrigidos imediatamente. Já no futebol, um pênalti perdido não tem volta.
Fonte: METRÓPOLES


