A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras voltou a colocar em evidência os principais líderes das duas maiores facções criminosas do Brasil. Mesmo presos em penitenciárias federais de segurança máxima, muitos desses chefes seguem apontados pelas autoridades como responsáveis por decisões estratégicas, movimentações financeiras e expansão territorial do crime organizado.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo o governo dos EUA, PCC e CV mantêm estruturas criminosas internacionais e redes de atuação que ultrapassam as fronteiras brasileiras. A classificação abre caminho para sanções financeiras e restrições contra integrantes, aliados e pessoas que prestem apoio às organizações.
No Comando Vermelho, a principal liderança continua sendo atribuída a Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. Preso há quase duas décadas, ele ainda é apontado pela Polícia Civil do Rio como chefe estratégico da facção, influenciando decisões por meio de familiares e advogados. Recentemente, ele foi alvo de investigações sobre o braço financeiro do grupo.
Outro nome de destaque no CV é Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca. Apontado como operador da facção nas ruas, ele lideraria ações de expansão territorial, invasões de comunidades rivais e articulações para ampliar a influência do grupo no Rio de Janeiro. A Polícia Federal também investiga tentativas de aproximação de Doca com agentes políticos.

As investigações ainda citam Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha, que teria participado da estratégia de avanço contra áreas dominadas por milicianos, e Juan Breno Malta Ramos Rodrigues, o BMW, acusado de liderar um grupo especializado em assassinatos e confrontos armados.
Já no PCC, o principal nome continua sendo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Mesmo preso e condenado a mais de 300 anos, ele segue tratado pelos órgãos de inteligência como o principal centro de poder da facção paulista, com influência em rotas internacionais de tráfico e decisões internas da organização.
A estrutura do PCC também inclui setores específicos de fiscalização financeira e segurança digital. Gratuliano de Souza Lira, conhecido como Quadrado, é apontado como chefe da Sintonia do Raio-X, responsável por monitorar finanças e possíveis desvios de recursos da facção.
No setor tecnológico, André Luiz de Souza e Eduardo Fernandes Dias, conhecidos como Andrezinho e Destino, liderariam a chamada Sintonia da Internet e Redes Sociais, área responsável pela proteção das comunicações internas, sistemas de criptografia e monitoramento das redes sociais dos integrantes.
Fonte: G1



