Lula reage à decisão dos EUA sobre PCC e CV e diz: ‘Não aceitamos ser tratados como moleques’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta sexta-feira (29) a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. Durante evento sobre investimentos da Petrobras em Sergipe, Lula afirmou estar “triste e decepcionado” com a medida anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano.

Na fala, o presidente citou diretamente o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e rejeitou qualquer possibilidade de interferência estrangeira no combate ao crime organizado no Brasil. Segundo Lula, as facções são tratadas internamente como ameaça à população, especialmente nas periferias, mas não se enquadram no conceito de terrorismo defendido pelo presidente Donald Trump.

O petista destacou que o governo brasileiro já aprovou leis de combate às facções e ao crime organizado e afirmou que continuará atuando contra PCC e CV. Lula também acusou os Estados Unidos de contribuírem para o tráfico de armas no Brasil, alegando que armamentos contrabandeados entram no país vindos do território norte-americano.

Durante o discurso, Lula ainda citou casos de brasileiros investigados ou foragidos que estariam nos Estados Unidos, como o ex-deputado Alexandre Ramagem e o empresário Ricardo Magro, dono da Refit. O presidente afirmou que entregou informações às autoridades americanas e cobrou cooperação internacional.

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“Não aceitamos ser tratados como moleques. Não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, declarou.

Pouco antes da fala de Lula, o Palácio do Planalto divulgou uma nota oficial criticando medidas unilaterais dos EUA. O texto afirma que ações não negociadas podem prejudicar o compartilhamento de informações entre as polícias, colocar vidas em risco e gerar impactos econômicos ao Brasil, inclusive sobre o sistema financeiro e o PIX.

A nota também acusa integrantes da família Bolsonaro de buscarem apoio estrangeiro para interferência no Brasil e reforça que a soberania nacional é “inegociável”.

A decisão dos EUA foi anunciada na quinta-feira (28) e depende da formalização do secretário Marco Rubio, aliado do presidente Donald Trump. O anúncio ocorreu um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com Rubio nos Estados Unidos.

Fonte: G1