Os Estados Unidos anunciaram que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) passarão a ser classificadas como organizações terroristas. A decisão faz parte da estratégia do governo Donald Trump para ampliar a atuação norte-americana na América Latina, com foco no combate ao narcotráfico, imigração ilegal e avanço da influência chinesa na região.
As duas facções foram designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e, a partir de 5 de junho, também serão incluídas na lista de “Organizações Terroristas Estrangeiras”. O anúncio ocorreu na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com Trump e com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
A possibilidade vinha sendo discutida desde 2025, quando Trump iniciou uma ofensiva contra cartéis latino-americanos. O combate ao tráfico passou a ser tratado pela Casa Branca como tema de segurança nacional, com reuniões entre líderes da região e operações contra alvos ligados ao narcotráfico.
Ainda em janeiro, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos divulgou a nova Estratégia Nacional de Defesa, defendendo “plena dominância militar e comercial do Ártico à América do Sul”. O documento afirma que os EUA podem colaborar com países aliados, mas também admite ações militares quando considerar que interesses americanos estejam ameaçados.

A estratégia cita como exemplo a operação que capturou o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, acusado pelos EUA de ligação com o Cartel de los Soles, tratado como organização terrorista. Segundo o governo Trump, a política será baseada no conceito de “paz por meio da força”, com foco direto no chamado “narcoterrorismo”.
Os Estados Unidos afirmam que poderão realizar ataques militares diretos contra organizações narcoterroristas em qualquer parte das Américas e dizem querer fortalecer aliados para desmontar cartéis de drogas. Entre as prioridades também estão o combate à imigração ilegal e a contenção da presença chinesa no continente.
Em outro documento divulgado pela Casa Branca em dezembro de 2024, o governo Trump detalhou a nova estratégia de política externa para a região. O texto prevê aumento da presença da Guarda Costeira e da Marinha, reforço das fronteiras, combate aos cartéis com possibilidade de uso de força letal e ampliação do acesso militar americano a pontos estratégicos.
A estratégia também cita a retomada da Doutrina Monroe, criada no século XIX com o lema “A América para os americanos”. O governo americano afirma que pretende restaurar a predominância dos EUA no Hemisfério Ocidental e impedir que potências estrangeiras ampliem influência militar ou econômica na região.
Em comunicado oficial, os EUA classificaram PCC e CV como “algumas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, acusando os grupos de comandar milhares de integrantes e promover ataques contra policiais, autoridades e civis. Marco Rubio afirmou que as facções atuam além das fronteiras brasileiras e alcançam outros países e os próprios Estados Unidos.
Nos bastidores, o governo Lula tentou impedir a classificação. A preocupação do Palácio do Planalto é que o enquadramento como terrorismo possa abrir margem para ações mais duras dos EUA, incluindo possíveis operações militares em território brasileiro em cenários extremos.
Especialistas em segurança pública também argumentam que a legislação brasileira já prevê punições severas contra facções criminosas e apontam que a lei antiterrorismo pode ser menos rigorosa em determinados casos. Segundo fonte ouvida pela GloboNews, o governo brasileiro não foi avisado previamente sobre a decisão.
Fonte: CNN



