Enquanto os Estados Unidos defendem a classificação de facções criminosas brasileiras, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), como organizações terroristas, investigações da Polícia Federal apontam para a atuação de extremistas ligados a grupos como Estado Islâmico e Boko Haram em território brasileiro.
Levantamento publicado pelo Metrópoles mostra que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, quatro operações da Polícia Federal resultaram na prisão de cinco pessoas e em mandados de busca contra outras duas por suspeitas relacionadas ao terrorismo. Segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), desde 2016 foram concluídos 32 inquéritos em que a PF identificou o crime de terrorismo e ao menos um responsável.
A maioria dos casos ocorreu entre 2023 e 2026. De acordo com a reportagem, muitos dos investigados eram considerados “lobos solitários”, indivíduos que teriam jurado fidelidade ao Estado Islâmico e buscavam armas, explosivos e materiais químicos para possíveis ataques no Brasil.
Entre as operações destacadas está a prisão, em dezembro de 2025, de um brasileiro na região de Curitiba (PR), suspeito de preparar materiais explosivos. Em janeiro, um policial militar e um estudante de medicina foram alvo de buscas em Itaguaí e Angra dos Reis (RJ) por suposta ligação com grupos extremistas. No mesmo mês, um jovem foi preso em Bauru (SP) após, segundo a PF, ter sido recrutado por um extremista já condenado.
Em abril de 2026, a Operação Sleeping Cell levou à prisão de um tunisiano que teria ingressado no Brasil utilizando identidade falsa. Segundo a Justiça Federal, ele é suspeito de integrar uma célula adormecida de organização terrorista internacional. Um casal formado por um egípcio e uma marroquina também foi detido na ação, mas posteriormente foi liberado.
A reportagem também cita o caso de Thiago Barboza, condenado por atos preparatórios ao terrorismo e associação ao Estado Islâmico. Posteriormente, ele foi absolvido da acusação de associação ao Boko Haram pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, o que reduziu sua pena. A defesa nega envolvimento com terrorismo e recorre da decisão.
Outro investigado é o jovem Leandro Claro Telles, preso em janeiro de 2026 e denunciado por terrorismo. Segundo a Polícia Federal, ele teria sido recrutado por meio de fóruns extremistas. A defesa informou que a família não pretende se manifestar publicamente.
No Rio de Janeiro, o policial militar Pedro Rosemberg Felicíssimo Carneiro Amaral negou qualquer ligação com terrorismo após ser alvo de buscas. Muçulmano há três anos, ele afirmou ao Metrópoles que condena o Estado Islâmico e atribui a investigação a uma denúncia falsa motivada por intolerância religiosa.
Segundo a reportagem, a Polícia Federal mantém discrição sobre as operações por considerar que a divulgação excessiva pode estimular pessoas vulneráveis a aderirem a ideologias extremistas. As investigações seguem em andamento em diferentes estados do país.
Fonte: METRÓPOLES


