Operação contra tráfico no RS revela pedido inusitado de presos: “Queremos picanha”

Uma operação policial contra uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro foi deflagrada nesta quinta-feira (11) em cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Até as 7h30, 27 pessoas haviam sido presas.

Segundo a investigação, o caso teve início após a apreensão de 1,3 tonelada de maconha em 2023, em Canoas (RS). As apurações indicam que o grupo atuava no tráfico em larga escala de cocaína e crack, utilizando imóveis alugados em áreas nobres como pontos de armazenamento de drogas. Em cerca de um ano e meio, a organização teria movimentado mais de R$ 21 milhões.

Parte dos integrantes, de acordo com a polícia, operava de dentro da Cadeia Pública de Porto Alegre. Durante as investigações, os agentes tiveram acesso a áudios que revelam até pedidos de carne para churrasco feitos por detentos.

Em uma das gravações, um preso solicita à atendente: “Queremos picanha, maminha”, demonstrando pressa para o recebimento do pedido. Em outro momento, ao ser informado de que não havia picanha disponível, ele opta por “dois espetos de maminha”. Na sequência, os detentos indicam o local de entrega: “A gente tá preso, moça, aqui na frente do Central”. A polícia não confirmou se a encomenda chegou a ser entregue.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro da Divisão de Investigações do Narcotráfico (DRLD/Dinarc) e pela Divisão de Inteligência Policial e Análise Criminal (Dipac), ambas do Denarc.

A Operação Apakani tem como objetivo desarticular a rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas. Ao todo, são cumpridos 28 mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária, 69 de busca e apreensão, além de 59 bloqueios de contas bancárias e 14 sequestros de veículos.

No Rio Grande do Sul, as ações ocorrem em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Gravataí, Nova Santa Rita, Farroupilha, Gramado, Caxias do Sul e Santa Maria. Também há cumprimento de mandados em unidades prisionais.

Fonte: G1