Enfermeira tentou reanimar jovem lançada sem corda em salto de rope jump

A enfermeira Rayza Gabrieli Dias Delfino, de 26 anos, que saltaria logo após Maria Eduarda Rodrigues de Freitas em uma atividade de rope jump em Limeira (SP), relatou à Polícia Civil que prestou os primeiros socorros à jovem após ela ser lançada da plataforma sem a corda principal de segurança.

Em depoimento, Rayza afirmou que desceu rapidamente da ponte ao perceber o acidente e encontrou Maria Eduarda ainda com sinais vitais muito fracos. Segundo a enfermeira, a vítima apresentava uma pulsação quase imperceptível quando ela iniciou as manobras de reanimação.

“Ela estava dando aquele suspiro de pós-morte. Eu peguei, chequei, ela estava com um pulso bem fraco. Eu comecei a massagem e parou [a pulsação]”, relatou.

A profissional contou ainda que Maria Eduarda estava com um equipamento de segurança preso à barriga, mas sem a corda principal que deveria conter a queda. Ela permaneceu realizando os primeiros socorros até a chegada da ambulância. A equipe médica precisou cortar parte do equipamento para tentar utilizar um desfibrilador, mas a tentativa não teve sucesso.

Rayza também revelou que seria a 42ª participante a saltar naquele dia e que gravava a preparação da vítima com o celular. Segundo ela, estava concentrada na expectativa de seu próprio salto e não observou a colocação dos equipamentos de segurança.

A enfermeira afirmou que só percebeu a gravidade da situação após a queda, quando ouviu pessoas gritando “a corda” em meio ao desespero. Ao notar a aflição do amigo que acompanhava Maria Eduarda na plataforma, pediu que ele a levasse até o local onde a jovem havia caído para iniciar o atendimento.

A tragédia ocorreu na chamada Ponte do Esqueleto, estrutura localizada na estrada que liga Limeira a Cordeirópolis. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Maria Eduarda sendo conduzida por três funcionários até a borda da plataforma e impulsionada para o salto. Logo após a queda, os presentes percebem que a corda principal não estava conectada ao equipamento da vítima.

Maria Eduarda caiu de uma altura de aproximadamente 40 metros e teve a morte constatada no local por equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. De acordo com a Polícia Civil, a corda que deveria sustentar a queda permaneceu enrolada na ponte.

Uma testemunha afirmou que os instrutores não realizaram a checagem de segurança antes do salto. Em depoimento, os três profissionais presos não conseguiram explicar como ocorreu a falha. Segundo a delegada responsável pelo caso, eles alegaram não se lembrar de quem era a responsabilidade de conectar a corda nem por que a conferência final não foi realizada.

Além da investigação sobre o acidente, autoridades discutem a responsabilidade pelo controle de acesso à Ponte do Esqueleto. Prefeitura de Limeira, Câmara Municipal e governo federal divergem sobre quem deveria fiscalizar e adotar medidas de segurança no local, conhecido há anos por apresentar riscos.

Fonte: G1