Michelle impõe condição a Flávio e crise expõe racha na família Bolsonaro

A relação entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro atravessa um período de forte desgaste em meio à campanha presidencial do PL. Desde dezembro, quando Flávio foi anunciado como o nome escolhido por Jair Bolsonaro para disputar o Palácio do Planalto, Michelle tem se mantido distante do projeto político liderado pelo enteado.

O episódio mais recente da crise veio à tona nesta segunda-feira, quando foi revelado que Michelle condicionou sua entrada na campanha a um gesto público de pedido de desculpas por parte de Flávio. A exigência surge em um momento delicado para o senador, que enfrenta queda nas pesquisas e vê aliados do PL tentarem reaproximar os dois para fortalecer sua candidatura.

O histórico de atritos remonta às divergências internas do bolsonarismo sobre quem deveria representar o grupo na disputa presidencial. Michelle rompeu relações com Eduardo Bolsonaro após críticas dele à possibilidade de ela disputar a Presidência ou compor uma chapa majoritária. Já o distanciamento com Flávio ganhou força quando o senador classificou a postura da ex-primeira-dama como “autoritária”, após divergências sobre alianças políticas no Ceará. Posteriormente, ele afirmou ter pedido desculpas à madrasta.

A participação de Michelle na política também passou por mudanças. Após indicar interesse em disputar o Senado pelo Distrito Federal, ela afirmou em março que permaneceria afastada das articulações enquanto Jair Bolsonaro se recuperava. Em maio, novas tensões surgiram após sua reação discreta à crise envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro. A ausência de uma defesa pública mais contundente desagradou integrantes da família Bolsonaro. O desconforto aumentou quando Michelle se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, como “irmão em Cristo” ao comentar uma autorização concedida ao ex-presidente.

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Nos bastidores do PL, a postura da ex-primeira-dama é vista como um movimento para preservar seu espaço político diante de possíveis mudanças no cenário da direita. Segundo informações publicadas por O GLOBO, Michelle e Flávio ainda não se encontraram pessoalmente neste ano, mantendo contato apenas por meio de intermediários.

A tensão ocorre em paralelo ao enfraquecimento eleitoral do senador. Dados recentes da pesquisa Genial/Quaest mostram queda de desempenho de Flávio entre evangélicos, mulheres, jovens e moradores do Sudeste. No cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o petista abriu vantagem de seis pontos, passando a liderar por 44% a 38%. O apoio de Michelle é considerado estratégico justamente entre mulheres e evangélicos, segmentos nos quais o senador perdeu terreno nas últimas semanas.

Fonte: OGLOBO