Ex-deputado questionou ausência do presidente dos Estados Unidos em processo do STF e afirmou que há movimentação para novas sanções contra Alexandre de Moraes
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não teria “coragem” de enfrentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita nesta quarta-feira (17), durante entrevista ao canal Rede Comunica Brasil, no YouTube.
Atualmente morando nos Estados Unidos, Eduardo questionou o fato de Trump não estar incluído no processo em que ele foi condenado por coação e por atuação considerada contrária aos interesses do Brasil em território norte-americano.
Segundo o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, as sanções impostas contra Alexandre de Moraes teriam sido adotadas pelo governo dos Estados Unidos, e não por ele diretamente.
“E aí eu pergunto: quem decretou a sanção contra o Moraes, a Lei Magnitsky e as sanções Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, na sigla em inglês)? Foi o presidente Trump, junto com seus secretários Scott Bessent e Marco Rubio, não foi Eduardo Bolsonaro”, afirmou.
Na sequência, Eduardo questionou por que Trump não faz parte do processo judicial.
“Porque eles não têm coragem. Sabe quando eles vão ter? Quando o Trump se tornar ex-presidente e se for eleito ao governo radical de esquerda. Aí, vocês vão ver o STF trabalhando junto com o governo norte-americano para ir atrás do Trump”, declarou.
O ex-parlamentar também afirmou que continuará sendo alvo do Supremo enquanto esse cenário não ocorrer.
Durante a entrevista, Eduardo Bolsonaro comentou ainda sobre a chamada Lei Magnitsky e afirmou existir uma movimentação em órgãos norte-americanos para que Alexandre de Moraes volte a ser alvo de sanções.
Segundo ele, haveria a possibilidade de outros integrantes da Corte serem atingidos caso prestem apoio ao ministro.
“Há um ambiente sendo criado para o retorno da Lei Magnitski. E eu acho que pode haver uma intenção do Moraes de buscar que os outros ministros também sejam sancionados com ele, para que a Corte toda se una em defesa a favor dele. Segundo consta o texto da lei, qualquer pessoa que dê apoio logístico, moral, financeiro ou de qualquer espécie ao sancionado, ele também pode sofrer as mesmas penalidades”, afirmou.
As declarações foram feitas um dia após a Primeira Turma do STF condenar Eduardo Bolsonaro por unanimidade. A decisão foi tomada na terça-feira (16).
De acordo com o julgamento, o ex-deputado foi condenado por coação no curso do processo em razão de sua atuação relacionada ao julgamento que envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a acusação, Eduardo Bolsonaro teria atuado junto a autoridades e parlamentares dos Estados Unidos para pressionar o governo norte-americano a adotar medidas contra ministros do STF e contra o próprio Brasil.
Ainda conforme a acusação, essas ações teriam como objetivo interferir na ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado, processo no qual Jair Bolsonaro foi posteriormente condenado.
O caso segue repercutindo nos meios políticos e jurídicos, ampliando a tensão entre integrantes do STF e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: METRÓPOLES


