Declaração do senador sobre o programa social gerou reação do partido do presidente Lula, que acusou o pré-candidato de mudar o discurso em meio à campanha eleitoral.
A defesa do Bolsa Família feita pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) desencadeou um novo embate entre o bolsonarismo e o PT nas redes sociais. Após as declarações do parlamentar, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um vídeo afirmando que Flávio, “em queda nas pesquisas”, estaria “fingindo até defender” o programa social.
A publicação do PT resgata declarações antigas do ex-presidente Jair Bolsonaro criticando o Bolsa Família e termina com a frase: “Eles podem até fingir, mas o povo conhece a verdade”, em referência à mudança de posicionamento atribuída ao senador às vésperas do início da campanha eleitoral.
Na segunda-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que o Bolsa Família é um “direito adquirido” da população brasileira e representa uma forma de estabilidade para pessoas que já enfrentaram a fome.
Segundo o senador, existe preconceito contra beneficiários do programa e muitos deixam de buscar empregos formais por receio de perder o auxílio.
“Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisessem trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício. A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: ‘se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e perder o Bolsa Família, e se perder o meu trabalho, como é que vou ficar? Vou voltar para aquela época que passava fome, que eu tinha que pedir dinheiro no sinal de trânsito?'”, declarou.
Flávio também afirmou que pretende propor um programa para ampliar o período em que beneficiários continuariam recebendo o Bolsa Família após conseguirem emprego formal ou abrirem uma empresa, sem detalhar como a medida seria implementada.
Pelas regras atuais, quando o beneficiário passa a ter carteira assinada, ele continua recebendo 50% do valor do benefício por até dois anos, desde que a renda mensal por pessoa da família permaneça inferior a meio salário mínimo.
O debate ocorre em meio ao cenário eleitoral. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 39% das intenções de voto no primeiro turno, índice estável em relação ao levantamento anterior. Flávio Bolsonaro aparece com 29%, abaixo dos 33% registrados em maio.
No cenário simulado de segundo turno, Lula lidera com 44% das intenções de voto, contra 38% de Flávio Bolsonaro. O levantamento também indica que o senador perdeu apoio entre evangélicos, mulheres, jovens e eleitores da região Sudeste.
Fonte: OGLOBO


