Criador de conteúdo denuncia agressão e racismo por seguranças na Arena Brasil em São Paulo

Influenciador Gustavo Haakin afirma ter sido agredido por seguranças terceirizados durante evento no Parque Ibirapuera. Organização diz que os funcionários envolvidos foram identificados e desligados.

O criador de conteúdo, atleta e ator Gustavo Haakin Oliveira da Costa, de 25 anos, denunciou ter sido vítima de agressão e racismo por seguranças terceirizados durante a Arena Brasil, evento realizado no Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo.

O caso ocorreu no último domingo (14) e foi registrado como lesão corporal no 27º Distrito Policial, no Campo Belo. Na quarta-feira (17), Gustavo publicou um vídeo nas redes sociais relatando o episódio e cobrando esclarecimentos dos organizadores.

No Instagram, onde reúne cerca de 148 mil seguidores, o influenciador produz conteúdos relacionados a desafios esportivos, como basquete, vôlei e futebol americano, além de participar de apresentações em eventos.

Segundo Gustavo, ele estava inicialmente em um camarote da Arena Brasil e, posteriormente, desceu para a pista premium para assistir ao show do rapper Matuê ao lado de amigos.

Ele afirma que um amigo, que atua como filmmaker, subiu em seus ombros para gravar imagens da apresentação. Nesse momento, um segurança teria abordado os dois de forma agressiva para interromper a ação.

De acordo com o relato, outras pessoas também estavam sobre os ombros de amigos no local, mas não receberam o mesmo tratamento.

Após a abordagem, Gustavo afirma que o segurança permaneceu observando seus movimentos durante parte do show. Pouco depois, quando tentou deixar o local onde estava, disse ter sido impedido de circular pela pista premium.

Segundo o influenciador, ao solicitar que o segurança se identificasse, a situação se agravou. Ele afirma que um amigo que gravava a cena com o celular também foi empurrado.

Na sequência, Gustavo relata que foi cercado por vários seguranças.

Segundo seu relato, entre cinco e sete profissionais o imobilizaram, segurando seus braços, enquanto um deles o enforcava e outro desferia socos em sua barriga.

O criador de conteúdo afirma que uma produtora do evento presenciou a situação e tentou interromper as agressões. Ainda assim, ele diz que voltou a ser contido e acabou retirado do local após discutir com um dos seguranças.

Gustavo informou que procurou a polícia ainda durante o evento. A pedido da produção, foi encaminhado para uma sala de acolhimento, onde afirma ter recebido atendimento de uma advogada, uma psicóloga e integrantes da organização.

Segundo ele, quando os policiais chegaram, o segurança apontado como responsável pela primeira agressão já não estava mais no local.

No vídeo publicado nas redes sociais, Gustavo também afirmou acreditar que a abordagem teve motivação racial.

Segundo ele, pessoas brancas que estavam na pista premium praticando outras condutas consideradas inadequadas não foram abordadas ou agredidas da mesma forma.

A Arena Brasil informou, em nota, que lamenta profundamente o ocorrido e afirmou não compactuar com qualquer forma de agressão, física ou verbal.

A organização declarou que os eventos contam com protocolos de segurança e atendimento para garantir a integridade do público, mas que, após uma apuração inicial, constatou que esses procedimentos não foram seguidos pelos profissionais envolvidos.

Segundo a nota, os seguranças terceirizados foram identificados e desligados.

A Arena Brasil informou ainda que está reforçando os processos de treinamento, atendimento e abordagem junto às equipes terceirizadas e prestadores de serviço, além de destacar que mantém uma tenda de acolhimento em seus eventos para atendimento ao público.

A organização também afirmou que entrou em contato com Gustavo Haakin para oferecer apoio e colaborar com as autoridades competentes.

Por fim, a empresa declarou que esse tipo de conduta é inadmissível e não representa os valores e princípios da Arena Brasil, acrescentando que trabalhará para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.