Operação internacional na fronteira com a Bolívia investiga carga que pode conter entre 20 e 50 toneladas da droga.
Uma operação internacional realizada neste domingo (21) interceptou uma carga suspeita de transportar dezenas de toneladas de cocaína escondidas em madeira na região de fronteira entre Brasil e Bolívia. A ação ocorreu em Corumbá (MS) e Cáceres (MT) e pode resultar na maior apreensão de cocaína já registrada no país.
Batizada de Timber Shield, a operação foi coordenada pela Receita Federal, com apoio da Polícia Federal, do Exército Brasileiro e de autoridades da Bolívia e dos Estados Unidos.
Segundo a Receita Federal, a droga não estava acondicionada em tabletes ou pacotes, como ocorre na maioria das apreensões. Os criminosos utilizaram um método considerado sofisticado, no qual a madeira foi impregnada com cocaína em estado líquido.
A técnica dificulta a identificação da droga durante fiscalizações em rodovias, portos e fronteiras, pois altera a aparência da carga e permite que a substância ilícita seja transportada junto a um produto aparentemente legal.
A investigação teve início após o compartilhamento de informações de inteligência entre autoridades brasileiras, norte-americanas e a Aduana da Bolívia, que apontavam a possibilidade de contaminação da carga com cocaína.
Com base nessas informações, equipes reforçaram a fiscalização na fronteira e interceptaram oito caminhões carregados com aproximadamente 260 toneladas de madeira. Quatro veículos foram retidos em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).
Durante as inspeções, um cão farejador indicou forte interesse pela carga, reforçando as suspeitas e motivando análises mais detalhadas.
Testes preliminares realizados pelas equipes de perícia apontaram indícios da presença de cocaína na madeira. A confirmação definitiva, no entanto, depende dos exames laboratoriais conduzidos pela Polícia Federal, responsável pela custódia da carga e pela investigação.
Com base em apreensões anteriores que utilizaram o mesmo método de ocultação, a Receita Federal estima que entre 10% e 20% do peso total da carga possa corresponder à cocaína.
Caso a estimativa seja confirmada, o volume apreendido poderá variar entre 20 e 50 toneladas da droga, tornando a operação a maior apreensão de cocaína da história do Brasil e uma das maiores já registradas no mundo.
As investigações também apontam semelhanças com apreensões recentes realizadas no Peru e indicam uma possível ligação com uma operação realizada no Chile em 6 de junho.
Na ocasião, autoridades chilenas apreenderam cerca de 100 toneladas de cocaína provenientes da Bolívia utilizando o mesmo método de ocultação: cocaína líquida misturada à madeira.
Segundo informações compartilhadas pelos Estados Unidos, as cargas apreendidas no Chile e no Brasil teriam saído do mesmo centro de produção localizado em território boliviano.
De acordo com as informações obtidas durante a operação, a carga tinha como destino os estados de Mato Grosso do Sul e Paraná. Parte dos caminhões seguiria para Campo Grande antes da distribuição da mercadoria.
Enquanto os laudos periciais não são concluídos, os caminhões permanecem sob vigilância das autoridades. Em Corumbá, as cargas estão armazenadas no pátio da Agesa, principal porto seco da região e importante terminal logístico e aduaneiro na fronteira com a Bolívia.
A Polícia Federal dará continuidade às investigações para identificar os responsáveis pelo transporte, os destinatários da carga e os países que receberiam a cocaína.
Também participaram da operação a Receita Federal, o Exército Brasileiro, o Grupo Especial de Fronteira (Gefron), de Mato Grosso, e as polícias técnico-científicas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Segundo a Receita Federal, as cargas permanecerão sob fiscalização e não poderão retornar à Bolívia. Os trabalhos periciais seguem em andamento para confirmar a presença da droga e determinar o volume exato apreendido.
Fonte: G1


