Rivais mantêm “pacto de silêncio” sobre operação da PF que mirou Jaques Wagner na Bahia

Estratégia envolve grupo de ACM Neto e petistas, que evitam explorar publicamente investigação que atinge o senador, em meio à disputa eleitoral no estado.

O principal adversário do PT na Bahia, o grupo político de ACM Neto (União Brasil), tem evitado explorar publicamente a operação da Polícia Federal (PF) que teve como alvo o senador Jaques Wagner, que disputa a reeleição na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Segundo informações, petistas e integrantes do grupo de ACM Neto teriam firmado nos bastidores um acordo para não levar o caso envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro para o centro da disputa eleitoral estadual.

Jaques Wagner é alvo de investigações que apuram possível atuação em favor de interesses do banqueiro e de seu ex-sócio, Augusto Lima, no Congresso, em troca de supostos benefícios indevidos. A PF suspeita de participação do senador em iniciativas legislativas relacionadas ao setor financeiro, como mudanças no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

De acordo com a investigação, os supostos benefícios incluiriam aeronave à disposição, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo em Salvador.

Apesar da operação, ACM Neto tem evitado ataques diretos ao adversário. Questionado por jornalistas, afirmou que o caso deve ser tratado no âmbito judicial e que é necessário aguardar os desdobramentos das investigações.

O tema também impactou o entorno político de ACM Neto. Documentos citados indicam pagamentos ligados ao Banco Master à empresa de consultoria do ex-prefeito, o que teria contribuído para a cautela no debate público entre os grupos.

Mesmo assim, o ex-ministro João Roma (PL), aliado de ACM Neto e também candidato ao Senado, comentou o caso nas redes sociais, classificando a investigação como grave e defendendo apuração independente. Ele também criticou a postura de Wagner em relação às denúncias.

A disputa na Bahia ocorre em um cenário de forte polarização entre PT e oposição, com Jerônimo Rodrigues buscando a reeleição e ACM Neto sendo novamente o principal nome da oposição no estado, repetindo o embate eleitoral anterior.

Nas articulações nacionais, ACM Neto tem buscado evitar alinhamento direto com a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, enquanto a campanha de Jerônimo tenta associar sua candidatura ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As investigações citam ainda relações entre agentes políticos e empresários ligados ao Banco Master, incluindo operações envolvendo privatizações e contratos no estado da Bahia, ocorridas em gestões anteriores.

Jaques Wagner nega irregularidades e afirma não ter recebido vantagens indevidas ou atuado para beneficiar qualquer instituição financeira citada nas investigações.

Fonte: OGLOBO