Pablo Aguiar Pinto, hoje com 52 anos, descobriu ainda jovem que havia herdado uma doença renal genética que já havia causado mortes em sua família. Em 2021, quando os rins falharam, ele passou a fazer hemodiálise e entrou na fila de transplante, mas não podia receber o órgão de parentes de sangue por conta da natureza hereditária da enfermidade.
A solução veio dentro da própria família: a sogra, Clotilde Gianotti, então com 74 anos, se ofereceu para doar um rim durante um jantar. Após exames, foi constatada compatibilidade de quase 80%. Mais de cinco anos após o transplante, Pablo não precisou mais retornar à diálise.
O caso envolve a doença renal policística autossômica dominante (DRPAD), condição genética que pode atingir até uma em cada mil pessoas, segundo especialistas. A enfermidade provoca a formação de cistos nos rins ao longo da vida, levando à perda progressiva da função renal.
Durante quase 15 anos, Pablo conviveu com a doença sem grandes limitações, até que, em 2021, houve agravamento do quadro e a necessidade de hemodiálise. A família chegou a buscar outros possíveis doadores, mas sem sucesso.
No caso dele, nenhum parente de sangue poderia doar um rim, já que a doença é hereditária e poderia estar presente em familiares. A esposa, Luiza, também não foi considerada doadora por precaução médica, devido ao risco de a filha do casal ter herdado a condição.
A decisão da doação partiu de Clotilde Gianotti, sogra de Pablo, que se voluntariou para o procedimento. Inicialmente, houve receio da família por causa da idade, mas exames mostraram que ela tinha boas condições de saúde e função renal adequada. Segundo especialistas, a idade não é, por si só, um impeditivo para a doação.
Por não se tratar de parente de até terceiro grau, a cirurgia exigiu autorização judicial. Após avaliações médicas e sociais, o procedimento foi liberado.
A cirurgia ocorreu em 10 de maio de 2021. Sogra e genro foram operados simultaneamente em salas vizinhas, com intervalo de cerca de 15 minutos entre a retirada e o implante do órgão. No dia seguinte, exames já indicavam melhora significativa da função renal de Pablo.
A recuperação de ambos foi rápida. Pablo recebeu alta com boa evolução, e Clotilde deixou o hospital dois dias depois.
Desde então, ele não precisou mais de hemodiálise, faz uso contínuo de imunossupressores e acompanhamento médico regular. O transplante, embora não represente cura, é considerado uma forma eficaz de tratamento da insuficiência renal crônica.
Para a família, o resultado também reforçou os laços afetivos. Pablo afirma que ganhou “uma segunda chance” e brinca que a sogra passou a ser “quase uma segunda mãe”. Clotilde, por sua vez, resume a experiência como um gesto de amor que transformou a vida de todos.


