PF faz nova operação contra fraude nas Americanas e mira controlador, ex-conselheiros e executivos de bancos

Segunda fase da Operação Disclosure cumpre mandados no Rio e em São Paulo e determina sequestro de bens de até R$ 54 bilhões

A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga supostas fraudes contábeis estimadas em R$ 54 bilhões envolvendo a Americanas.

Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. A operação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre o escândalo contábil revelado pela companhia em 2023.

A ação é baseada em três acordos de colaboração premiada firmados pelos ex-diretores Marcelo Nunes, Fabio Abrate e Flávia Carneiro, além da quebra de sigilo de dados da Americanas e de depoimentos colhidos pela PF e pelo MPF nos últimos dois anos.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados, limitado ao montante de R$ 54 bilhões.

Segundo as investigações, os nove alvos teriam conhecimento de fraudes contábeis praticadas ao longo de vários anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente registrados sem lastro econômico.

Os investigados também são suspeitos, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

Entre os alvos da operação estão Carlos Alberto Sicupira, um dos controladores da Americanas; Eduardo Saggioro, integrante do conselho da companhia; Paulo Alberto Lemann, ex-integrante do conselho e filho do controlador Jorge Paulo Lemann; José Rudge e Gustavo Balassiano, do Itaú; Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco; Sergio Rial, ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas; além de André Almeida e Alexandre Abdo, ligados ao Santander.

De acordo com a investigação, os suspeitos teriam praticado manobras que não alteravam diretamente o lucro líquido divulgado pela companhia, mas eram planejadas para influenciar a percepção dos investidores e a precificação das ações da empresa. Segundo a PF, o foco das irregularidades seria a manipulação de indicadores financeiros no mercado de capitais, sem modificar o resultado final apresentado nos balanços.

A Americanas informou, em nota, que não foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira. A companhia afirmou que a Operação Disclosure se refere à fraude revelada em 2023 e reiterou que continuará colaborando com as investigações por ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos.

Fonte: OGLOBO