Sem asfalto, moradores adaptam tradição das ruas pintadas para a Copa em comunidade da Cidade Tiradentes

Na Zona Leste de São Paulo, crianças e moradores usam muros, portões e espaços de projetos sociais para manter viva a decoração típica do Mundial

As tradicionais ruas pintadas para a Copa do Mundo já começam a tomar conta de diferentes regiões da capital paulista, mas em uma comunidade da Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, a prática precisou ser adaptada por um motivo estrutural: a ausência de asfalto.

Em diversas vias da região, o chão ainda é de terra, o que impede a fixação da tinta usada nas decorações típicas do período. A poeira, a chuva e o tráfego de pessoas fazem com que os desenhos não resistam por muito tempo.

Diante disso, moradores encontraram alternativas para manter a tradição. Muros, portões, lajes e até o piso de um projeto social passaram a ser usados como superfície para as pinturas temáticas da Copa.

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— “Se não dá pra pintar a rua, a gente pinta o portão, pinta o muro, pinta a laje, quem tem, o chão do projeto, e vamos embora”, afirmou o professor Paulinho Cavalcante.

A mobilização ocorre no Projeto Me Ajude, uma ONG que atende cerca de 250 crianças e adolescentes com atividades de educação, esporte e lazer. A maioria dos participantes vive em ruas sem pavimentação.

Durante a ação, o espaço da entidade foi transformado em uma espécie de “rua da Copa”, com desenhos de bandeiras de diferentes seleções e símbolos ligados ao futebol.

Para muitas das crianças, esta é a primeira experiência consciente com uma Copa do Mundo e também a primeira participação na tradição das ruas decoradas durante o torneio.

— “Mesmo que seja um espacinho pequeno, dá pra pintar”, disse uma das crianças.

A empolgação também aparece na escolha dos desenhos, com destaque para referências à seleção brasileira e jogadores como Neymar, Vini Jr., Endrick, Lucas Paquetá e Cristiano Ronaldo.

Em meio à ausência de infraestrutura básica, a iniciativa reforça o papel da Copa do Mundo como elemento de identidade cultural e de mobilização comunitária, especialmente em áreas onde a tradição precisou ser reinventada para continuar existindo.

Fonte: G1