Viúva de policial relata vício em apostas e dívidas de quase R$ 1 milhão: “Era uma pessoa muito honesta”

Enfermeira diz que amigos não desconfiaram do problema e afirma que marido morreu sem revelar a dimensão do vício em bets.

A enfermeira Raquel Maria, viúva do policial militar Danilo Lopes Negrão, relatou que amigos da família não suspeitaram que os empréstimos feitos pelo marido estavam ligados ao vício em apostas esportivas. Em entrevista ao g1, ela afirmou que a confiança na reputação de honestidade do policial fez com que muitas pessoas emprestassem dinheiro sem questionar.

“Todo mundo emprestava porque como ele era muito honesto, ninguém imaginava o que ele tava passando”, disse Raquel.

O policial morreu em setembro de 2023, aos 41 anos, deixando esposa e uma filha. Segundo a viúva, o vício em apostas começou em dezembro de 2022, durante a Copa do Mundo, e resultou em dívidas que chegaram a quase R$ 1 milhão.

Raquel publicou um vídeo na quarta-feira (24) relatando a história e fez um alerta sobre os impactos do vício em jogos de azar.

🔍 Ludopatia é o termo usado para o transtorno relacionado ao vício em jogos de azar.

“Eu quero deixar um alerta aqui para vocês: gente, não joguem. Não joguem porque pode ser um caminho sem volta”, afirmou.

Dívidas e descoberta após a morte

A viúva relatou que só teve dimensão real do problema financeiro após a morte do policial. Segundo ela, ao acessar o computador do marido, encontrou uma planilha com registros de empréstimos feitos com amigos, bancos e agiotas.

Quase três anos depois, Raquel afirma que ainda enfrenta consequências financeiras e jurídicas, incluindo bloqueios que impedem a venda da casa da família. “Moro até hoje no lugar onde tudo aconteceu”, disse.

Início do vício durante a Copa do Mundo

De acordo com o relato, o comportamento compulsivo começou durante a Copa do Mundo de 2022. Inicialmente, o policial teria obtido ganhos, mas posteriormente acumulou perdas significativas.

A família chegou a intervir e sugerir ajuda profissional após uma grande perda, mas, segundo Raquel, ele não manteve acompanhamento e não chegou a relatar o vício durante consultas.

Medidas de controle e autoexclusão

Desde 2025, plataformas de apostas regulamentadas no Brasil são obrigadas a oferecer ferramentas de autoexclusão, que permitem ao usuário bloquear o próprio acesso.

O Ministério da Fazenda também disponibiliza a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite o bloqueio do CPF em sites autorizados.

Para apoio a pessoas com problemas relacionados ao jogo, o Ministério da Saúde oferece o Guia de Cuidado para Pessoas com Transtornos Associados a Jogos de Apostas.

Fonte: G1