Com frieza à beira do campo, Carlo Ancelotti mantém padrão de decisões estratégicas e conduz Seleção em nova virada sobre o Japão na Copa do Mundo.
“Eu sofri menos. Estava confiante”. A frase dita após a vitória por 2 a 1 sobre o Japão, pela segunda fase da Copa do Mundo, sintetiza o comportamento de Carlo Ancelotti à beira do campo. Mesmo em momentos de pressão, o treinador da Seleção Brasileira mantém postura serena e confiança no plano de jogo.
A reação discreta no momento do gol de Martinelli reforçou o padrão do técnico italiano, conhecido por decisões firmes em cenários de instabilidade. A virada em Houston, construída no segundo tempo, remete a episódios marcantes de sua trajetória no Real Madrid.
No jogo contra o Japão, decisões do treinador foram determinantes. Em vez de substituir Casemiro, optou por mantê-lo em campo, e o volante acabou participando do gol de empate. Já na escolha ofensiva, Ancelotti preferiu Martinelli em vez de Neymar, e o atacante marcou o gol da virada.

“O aspecto psicológico é importante, o sofrimento é normal, não há nada novo. Sobretudo no futebol moderno, sofrimento é normal. Como é o alívio”, afirmou o treinador.
A leitura de jogo e a capacidade de ajustes no intervalo também foram destacadas por jogadores da Seleção. Segundo Alisson, a comissão técnica orientou a equipe a aumentar a presença na área e manter a calma. Casemiro e Gabriel Magalhães reforçaram que a principal orientação foi não perder a organização mesmo em desvantagem.
Após a partida, Ancelotti avaliou o desempenho da equipe como o mais completo até o momento na competição, apesar das dificuldades iniciais diante da defesa japonesa. Segundo ele, as soluções encontradas no segundo tempo foram decisivas para a virada.
A filosofia de controle emocional e leitura estratégica é recorrente na carreira do treinador. Em passagens pelo Real Madrid, Ancelotti esteve à frente de algumas das viradas mais emblemáticas do futebol europeu.
Na final da Liga dos Campeões de 2014, contra o Atlético de Madrid, o empate no fim do tempo regulamentar abriu caminho para a vitória na prorrogação. Em 2022, a campanha do título europeu teve reações marcantes contra PSG, Chelsea e Manchester City, sempre com gols decisivos nos minutos finais. Já em 2024, novas viradas contra City e Bayern reforçaram o padrão de decisões tardias e controle emocional.
Na Seleção Brasileira, o treinador tenta replicar a mesma lógica: estabilidade emocional, ajustes pontuais e confiança na execução do plano. O modelo tem sido aplicado também nos treinamentos, com foco em organização e tomada de decisão sob pressão.
A preparação segue para o próximo desafio. A Seleção treinou nesta terça-feira em Nova Jersey e terá folga antes da reapresentação para o duelo contra a Noruega, no domingo, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
Fonte: GE



