Primeira etapa da Linha 6-Laranja é inaugurada com seis estações e operação assistida, após anos de atrasos, mudanças contratuais e paralisações envolvendo o projeto.
O primeiro trecho da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo será inaugurado nesta quinta-feira (2), 18 anos após o anúncio oficial da obra. O projeto, inicialmente prometido para 2011, enfrentou sucessivos atrasos, mudanças de contrato e paralisações ao longo das últimas décadas.
Nesta fase inicial, serão entregues seis estações, incluindo João Paulo I e Freguesia do Ó, na região da Freguesia do Ó, e o trecho seguirá até Perdizes, na Zona Oeste da capital. Quando totalmente concluída, a linha terá 15 estações e deverá atender cerca de 600 mil passageiros por dia, conectando a Brasilândia, no extremo Noroeste, ao centro da cidade, na estação São Joaquim.
A Linha 6 será a primeira do sistema metroviário paulista construída e operada integralmente em parceria público-privada (PPP), sob responsabilidade da concessionária Linha Uni, da empresa Acciona. O ramal também ficou conhecido como “linha das universidades”, por passar próximo a instituições como FAAP, Mackenzie, FGV, Unip e PUC.

A entrega foi antecipada em relação ao cronograma inicial do governo estadual, que previa inauguração em outubro. O ajuste foi feito em acordo com a concessionária, permitindo a abertura antes do período de restrições eleitorais para eventos públicos.
Nesta etapa inicial, a operação será assistida, com funcionamento das 10h às 15h e sem cobrança de tarifa. Serão dois trens em circulação, um em cada sentido, com tempo estimado de 19 minutos para percorrer o trecho aberto. A velocidade operacional inicial será de 30 a 40 km/h, podendo chegar a 90 km/h em operação plena.
Apesar da inauguração, parte das estações ainda não está totalmente finalizada, com pendências de acabamento, sinalização e sistemas de ventilação em algumas estruturas. O governo estadual afirma que as unidades só serão liberadas após vistoria e certificação de segurança.
A Linha 6 enfrentou uma sequência de interrupções desde os primeiros estudos, ainda nos anos 1970. O projeto foi oficialmente anunciado em 2008, com previsão de entrega inicial para 2011, mas as obras começaram apenas em 2015. O contrato original, firmado com consórcios envolvidos na Operação Lava Jato, foi posteriormente interrompido, levando à paralisação do canteiro em 2016.
A retomada ocorreu em 2020, após a entrada da Acciona, que assumiu a concessão e revisou o cronograma e os custos da obra. O valor total do empreendimento foi ampliado ao longo dos anos, incluindo aditivos contratuais relacionados a condições geológicas encontradas durante a escavação.
O projeto também enfrentou desafios adicionais, como achados arqueológicos na região da estação 14 Bis, que impactaram o cronograma e exigiram intervenções do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O local revelou vestígios ligados ao Quilombo Saracura, o que levou a ajustes no projeto e paralisações temporárias.
Atualmente, o governo estadual estima entregas graduais até 2027, com novas estações previstas ao longo dos próximos anos. O sistema metroferroviário de São Paulo, apesar da expansão, ainda fica atrás de grandes metrópoles globais em extensão de rede, segundo dados comparativos internacionais.
Fonte: OGLOBO



