Rússia lança ataque em larga escala contra Kiev, deixa mortos e amplia tensão na guerra com a Ucrânia

A Rússia realizou um ataque em grande escala contra Kiev, capital da Ucrânia, na madrugada desta quinta-feira (2), com o uso de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones. A ofensiva deixou ao menos 17 mortos e dezenas de feridos, segundo autoridades ucranianas.

O bombardeio foi descrito por autoridades locais como um “furioso ataque inimigo” e provocou explosões intensas que sacudiram a cidade por horas, atingindo os 10 distritos de Kiev, em ambos os lados do rio Dnipro.

De acordo com o chefe da Administração Militar da Cidade de Kiev, Tymur Tkachenko, ao menos 17 pessoas morreram e cerca de três dezenas de locais foram danificados na capital. O prefeito Vitali Klitschko informou ainda que há pelo menos 34 feridos, incluindo paramédicos e motoristas de uma estação de ambulâncias.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, já havia alertado sobre a possibilidade de ataques e decidiu encurtar sua viagem a Dublin, na Irlanda, onde participaria do início da presidência rotativa da União Europeia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Abrigos e destruição em toda a capital

Durante o ataque, moradores de Kiev buscaram abrigo em estações de metrô subterrâneas após os primeiros alertas. Muitas pessoas estavam acompanhadas de crianças, animais de estimação e pertences pessoais. Os alertas de ataque aéreo foram emitidos em grande parte do território ucraniano, no que já é considerado um dos ataques mais intensos desde meados de junho.

“Outra noite terrível para os moradores da cidade, que foram forçados a passá-la em abrigos”, escreveu a embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos, Olha Stefanishyna, na rede social X.

Diante da ofensiva, a Polônia — membro da Otan e da União Europeia — chegou a mobilizar caças como medida preventiva, mas as aeronaves retornaram após a constatação de que não houve violação do espaço aéreo. A Finlândia também chegou a impor restrições temporárias de aviação na região oriental do Golfo da Finlândia, posteriormente suspensas.

Prédios destruídos e pessoas sob escombros

As autoridades relataram danos estruturais graves em diferentes pontos de Kiev. No distrito de Desnianskyi, um prédio residencial de nove andares foi parcialmente destruído, com colapso entre o primeiro e o sexto andares após impacto direto, deixando moradores presos sob escombros.

Incêndios também foram registrados nos distritos de Sviatoshynskyi e Darnytskyi, onde equipes de resgate atuam na retirada de vítimas. No distrito de Holosiivskyi, o fogo atingiu o telhado de um edifício de vários andares.

No Boulevard Shevchenko, um prédio teve o topo atingido pelas chamas, enquanto no distrito de Pecherskyi foram registrados danos próximos a residências. Em Solomianskyi, um prédio administrativo também foi atingido, e outros distritos como Obolonskyi e Podilskyi registraram danos.

No distrito de Shevchenkivskyi, cinco pessoas ficaram feridas, incluindo um paramédico em estado extremamente crítico.

Contexto da guerra e troca de ataques

A escalada dos ataques russos ocorre paralelamente ao aumento de ofensivas ucranianas com drones de longo alcance contra território russo, mirando instalações militares e energéticas.

Essas ações teriam provocado impactos na infraestrutura energética da Rússia, incluindo uma crise de combustível que levou o país a importar gasolina de outros mercados, como a Índia.

Nesta quinta-feira, o governador da região de Leningrado, Alexander Drozdenko, afirmou que sete drones ucranianos foram abatidos na área, onde estão importantes instalações de refino e exportação de petróleo.

Na região de Belgorod, que faz fronteira com a Ucrânia, autoridades locais relataram que um ataque de drone atingiu uma residência, matando um homem e ferindo sua esposa.

Tanto Rússia quanto Ucrânia afirmam não ter civis como alvos deliberados. Recentemente, o presidente Volodymyr Zelensky propôs negociações diretas com Vladimir Putin para encerrar o conflito, que já dura mais de quatro anos, mas a proposta foi rejeitada pelo Kremlin.

Fonte: G1