Suspeita de matar casal de idosos em BH tinha dívidas com apostas e família pagou R$ 40 mil a agiota, diz polícia

A principal suspeita de assassinar o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, acumulava dívidas relacionadas a apostas e chegou a receber ajuda da família para quitar um débito de R$ 40 mil com um agiota. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil nesta quinta-feira (2).

Segundo o delegado Gustavo Barletta, familiares relataram ter reunido cerca de R$ 40 mil para tentar quitar a dívida atribuída à investigada.

“A própria família fala que teria levantado entre os familiares R$ 40 mil para ajudá-la a pagar uma dívida”, afirmou.

O delegado Felipe Freitas disse que ainda não há clareza sobre a origem do débito, mas confirmou que os familiares apontam que o valor teria sido usado para pagamento de agiota.

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“A gente não sabe a que pretexto foi essa dívida. A família informa que ela teria levantado a quantia de R$ 40 mil para pagar um agiota. Agora, qual o contexto dessa dívida? A gente ainda não tem essa informação”, disse.

Família aponta vício em apostas online

A tia da suspeita, Nilza Maria Neto, afirmou que a investigada enfrentava problemas com apostas online, incluindo o chamado “jogo do Tigrinho”. Segundo ela, a família identificou mudanças de comportamento e levou a jovem a atendimento em um hospital psiquiátrico de Belo Horizonte, onde teria iniciado tratamento com medicação. No entanto, o acompanhamento não teria sido mantido de forma regular.

“Descobrimos tudo que estava acontecendo. Levei ela ao plantão de um hospital psiquiátrico, onde foi medicada. Foi aí que ela começou a tomar remédio”, contou a tia.

Caso foi tratado como latrocínio

A Polícia Civil concluiu que o casal foi vítima de latrocínio e representou pela prisão da suspeita, que segue foragida.

De acordo com as investigações, esta teria sido a primeira vez que a diarista entrou no apartamento das vítimas. Ela foi indicada por um parente do casal para realizar um serviço de limpeza.

Os investigadores afirmam que o crime começou por volta do meio-dia de segunda-feira (29). O advogado costumava sair de casa durante jogos da Seleção Brasileira, mas permaneceu no imóvel por ser o primeiro dia de trabalho da diarista.

A perícia apontou que Cláudio Atala foi atingido por 17 facadas, enquanto Maria Clotilde sofreu sete golpes. Ambos apresentavam ferimentos compatíveis com tentativa de defesa.

Suspeita teria tomado banho e vendido pertences das vítimas

Segundo a Polícia Civil, após o crime, a suspeita tomou banho no apartamento, trocou de roupa e deixou o local levando bolsas, mochilas e objetos pessoais das vítimas.

Imagens de segurança mostram a entrada dela no prédio com apenas uma bolsa e a saída cerca de oito horas depois com diversos pertences. Entre os itens levados estariam relógios, joias e celulares.

Parte dos objetos teria sido vendida na região central de Belo Horizonte antes da fuga. Na quarta-feira (1º), a polícia recuperou dois celulares das vítimas em Vespasiano, o que reforçou, segundo os investigadores, a hipótese de motivação patrimonial.

Polícia investiga possível ajuda na fuga

As imagens também mostram um carro parado por cerca de 15 minutos próximo ao prédio antes da entrada da suspeita no veículo. A Polícia Civil apura se houve apoio de terceiros na fuga.

Após circular pela região central de Belo Horizonte, a investigada teria seguido para Ribeirão das Neves, onde morava com familiares. No dia seguinte, fugiu levando o filho de seis anos e, desde então, não foi localizada.

Fonte: G1