Suspeito de atentado contra tenente da Rota e irmão de Eloá morre em ação policial na Zona Leste de SP

Um homem apontado como suspeito de participação no atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos morreu na manhã desta quarta-feira (1º) durante uma ação policial no Jardim Guaianazes, na zona leste de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, a equipe chegou ao local após denúncia.

De acordo com a corporação, o suspeito teria reagido à abordagem e foi baleado durante o confronto. Ele chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde da região, mas não resistiu aos ferimentos. A ocorrência foi registrada no 68º Distrito Policial, e a investigação ficará a cargo da Polícia Civil.

O delegado Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de São Paulo, confirmou ao O GLOBO que as investigações apontam que o grupo suspeito planejava há pelo menos três meses o atentado contra o tenente Ronickson Pimentel.

O policial foi baleado na cabeça no último sábado, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Ele permanece internado no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Em boletim mais recente, a Polícia Militar informou que o oficial apresentou melhora clínica e redução na necessidade de medicamentos para controle da pressão arterial, além de resposta positiva ao tratamento neurológico.

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Ronickson é alvo de pelo menos três inquéritos relacionados a mortes decorrentes de intervenção policial durante operações da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da Polícia Militar paulista. A investigação sobre o atentado segue em andamento, e dois suspeitos já tiveram prisão temporária decretada pela Justiça.

Identificação do suspeito e ligação com caso Eloá

O homem morto na ação policial foi identificado como irmão de Eloá Pimentel, adolescente morta aos 15 anos em outubro de 2008, em um caso de cárcere privado que teve grande repercussão nacional.

O episódio ficou conhecido como o caso Eloá, quando a jovem foi mantida refém pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves por cerca de 100 horas em um apartamento em Santo André, na Grande São Paulo. O caso terminou de forma trágica após intervenção policial, quando Eloá foi baleada e não resistiu aos ferimentos.

Relembre o caso Eloá

Em 2008, Eloá participava de um trabalho escolar com colegas em sua residência quando o ex-namorado invadiu o apartamento armado. Ele agrediu os adolescentes presentes e manteve todos em cárcere privado, iniciando um sequestro que durou cerca de quatro dias.

Segundo investigações, o crime foi motivado pela não aceitação do término do relacionamento. O caso foi classificado pelo Ministério Público como crime de gênero, ocorrido antes da tipificação do feminicídio no Código Penal.

O desfecho ocorreu após mais de 100 horas de negociações, quando forças policiais invadiram o apartamento. Na ação, Eloá e outra jovem foram baleadas. Eloá morreu no dia seguinte.

Lindemberg foi condenado inicialmente a 98 anos e 10 meses de prisão, pena posteriormente reduzida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para 39 anos e três meses.

Fonte: OGLOBO