Bélgica contesta Fifa no caso Balogun e acusa entidade de tornar recurso ‘inadmissível’

A Federação Belga de Futebol (RBFA) informou nesta segunda-feira (6) que recebeu o direito de recorrer da decisão da Fifa que suspendeu o cartão vermelho do atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. No entanto, a entidade afirmou que o procedimento adotado pela Fifa tornou o recurso praticamente inviável e acusou a organização de criar mecanismos para garantir que o apelo fosse considerado inadmissível.

A controvérsia envolve a liberação de Balogun para enfrentar a Bélgica nas oitavas de final da Copa do Mundo. Após apresentar uma reclamação formal, a federação belga foi autorizada a recorrer a um comitê da Fifa criado para analisar o caso. Apesar disso, não há garantia de que o recurso seja julgado antes do início da partida, marcada para as 21h (horário de Brasília).

Em nota oficial, a RBFA criticou a forma como o processo foi conduzido pela entidade máxima do futebol.

“Após tomar conhecimento, através de notícias midiáticas, da decisão da FIFA de levantar a suspensão automática do jogador Balogun, a RBFA enviou uma carta à FIFA solicitando uma cópia da decisão, uma explicação do processo adotado e expondo a sua posição relativamente aos regulamentos aplicáveis.”

Segundo a federação, a única resposta recebida foi uma comunicação da Fifa informando que o pedido de esclarecimentos seria tratado como um recurso formal. A entidade também alegou que recebeu apenas algumas horas para concluir a apelação, sem ter acesso à decisão fundamentada.

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“Enquanto a RBFA apenas procurava esclarecimentos legítimos, a própria FIFA criou um recurso e garantiu imediatamente que este fosse declarado inadmissível”, afirmou a federação.

Belgas dizem que processo foi conduzido sem informações completas

De acordo com a RBFA, as federações da Bélgica e dos Estados Unidos tinham até as 9h (de Brasília) desta segunda-feira para apresentar suas manifestações sobre o caso. No entanto, os belgas afirmam que não receberam a decisão oficial da Fifa, nem a justificativa utilizada para suspender o cartão vermelho aplicado a Balogun.

A federação também informou que o relatório da arbitragem referente à expulsão do atacante não foi disponibilizado, obrigando a elaboração do recurso com informações consideradas incompletas.

Outro ponto criticado pela entidade foi a escolha do árbitro catari Salman Al-Ansari para analisar o caso. Segundo a RBFA, ele é muito próximo do presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Além disso, a federação afirmou que, durante a reunião de coordenação da partida, a Fifa retirou de sua apresentação o tópico referente à suspensão automática de jogadores expulsos, tema que, segundo os belgas, havia sido abordado em todas as reuniões anteriores do torneio. A entidade informou que questionou a mudança verbalmente e por escrito, mas disse não ter recebido resposta.

Caso pode chegar à Corte Arbitral do Esporte

A Federação Belga ainda pode recorrer à Corte Arbitral do Esporte (CAS), considerada a instância máxima da Justiça esportiva. Até o momento, porém, a entidade não informou se adotará essa medida.

Balogun foi expulso na partida contra a Bósnia-Herzegovina, punição que, conforme o Artigo 10.5 do regulamento da Copa do Mundo, acarretaria suspensão automática por um jogo.

Entretanto, a Fifa decidiu suspender a aplicação da punição com base no Artigo 27 do Código Disciplinar, que permite ao órgão judicial suspender total ou parcialmente uma medida disciplinar.

“Por força do Artigo 27 do FDC, a implementação da suspensão automática de jogos para Folarin Balogun é suspensa por um período probatório de um (1) ano”, informou a Fifa em comunicado.

Na parte final da nota, a Federação Belga afirmou que, independentemente do resultado da partida, continuará contestando a condução do caso em defesa da ética, da competição justa e dos interesses do futebol.

Fonte: CBN