A classificação da Argentina em uma partida marcada por sofrimento deixou uma mensagem que vai além das discussões táticas típicas de uma Copa do Mundo. Na histórica virada sobre o Egito, a equipe comandada por Lionel Scaloni mostrou que coragem, entrega, raça e confiança podem ser tão decisivas quanto qualquer estratégia. Mesmo sem uma atuação brilhante, os atuais campeões seguiram vivos graças à persistência do elenco e, mais uma vez, ao talento de Lionel Messi.
A seleção argentina esteve longe de apresentar seu melhor futebol. A defesa deu espaços, o ataque encontrou dificuldades para transformar posse de bola em chances claras e o Egito conseguiu executar seu plano de jogo durante boa parte da partida. As mudanças promovidas por Scaloni antes do confronto não surtiram o efeito esperado, e diversos jogadores tiveram desempenho abaixo do esperado.
Apesar disso, o resultado foi suficiente para garantir a classificação às quartas de final, evitar uma segunda prorrogação consecutiva e reforçar que a equipe segue sendo uma adversária difícil de ser derrotada, mesmo quando não domina completamente o jogo.
Falha defensiva mudou o cenário da partida
Empurrada pela maioria dos mais de 68 mil torcedores presentes no Estádio de Atlanta e apontada como ampla favorita diante de uma seleção que nunca havia alcançado as oitavas de final, a Argentina começou pressionando e buscando recuperar rapidamente a posse de bola.

O bom início, porém, perdeu força após uma falha defensiva. Em cobrança curta de escanteio, Attia cruzou para Yasser vencer Lisandro Martínez pelo alto e abrir o placar para o Egito. O lance evidenciou dificuldades da defesa argentina nas bolas aéreas, especialmente nas costas do zagueiro.
Pouco depois, Messi desperdiçou uma cobrança de pênalti, defendida por Shobeir. A partir daí, a Argentina passou a encontrar dificuldades para circular a bola com velocidade pelo meio-campo e concentrou suas ações ofensivas em cruzamentos pelas laterais.
No segundo tempo, o cenário ficou ainda mais complicado. O Egito reforçou a marcação com até seis jogadores na última linha defensiva, obrigando os argentinos a avançarem com mais atletas e abrirem espaços para contra-ataques.
Os africanos chegaram a marcar novamente em um golaço de Zico após bela jogada de Hassan, mas o lance acabou anulado. Ainda assim, a defesa argentina continuou vulnerável às jogadas em velocidade.
Messi lidera reação e evita eliminação
Na tentativa de mudar o panorama da partida, Lionel Scaloni promoveu as entradas de Nico González e Lautaro Martínez nos lugares de Tagliafico e De Paul. As alterações, no entanto, não resolveram os problemas defensivos, e o Egito voltou a balançar as redes.
Com o estádio em silêncio e a eliminação cada vez mais próxima, a Argentina passou a insistir em cruzamentos sem sucesso. Montiel também entrou na equipe para substituir Molina e dar novo equilíbrio ao setor defensivo.
Quando o cenário parecia irreversível, Messi apareceu mais uma vez. Aos 33 minutos, o camisa 10 fez um cruzamento preciso para Romero, que cabeceou para diminuir a desvantagem.
O gol mudou completamente o ambiente da partida. Embalada pela reação, a Argentina aumentou a pressão ofensiva até que Messi aproveitou uma sobra dentro da área para marcar o gol de empate.
Nos minutos finais, o Egito desperdiçou uma grande oportunidade de contra-ataque. Logo em seguida, a Argentina utilizou justamente a principal arma do adversário para decidir o confronto, chegando ao gol da virada com Enzo Fernández.
Embora a classificação tenha sido comemorada, a atuação deixou alguns alertas para a equipe de Lionel Scaloni. Assim como já havia ocorrido diante de Cabo Verde, a seleção apresentou fragilidades defensivas, sofreu quatro gols nos últimos dois jogos e encontrou dificuldades para superar sistemas defensivos fechados. Além disso, as duas partidas do mata-mata exigiram grande desgaste físico. Ainda assim, os argentinos demonstraram que, em uma Copa do Mundo, a força mental e a capacidade de reação também podem fazer a diferença.
Fonte: GE



