Amazônia registra menor nível de alertas de desmatamento no 1º semestre em 10 anos, aponta Inpe

A Amazônia registrou, no primeiro semestre de 2026, a menor área sob alerta de desmatamento desde o início da série histórica do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), em 2016. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Entre janeiro e junho, o Deter identificou 1.295 quilômetros quadrados de áreas com indícios de perda de vegetação nativa no bioma, o menor resultado para o período em uma década de monitoramento.

Os alertas emitidos pelo Deter são utilizados para orientar ações de fiscalização ambiental. O sistema identifica, por meio de imagens de satélite, locais com sinais compatíveis com a retirada da vegetação, mas não corresponde à taxa oficial de desmatamento, que é calculada anualmente pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), também do Inpe.

Segundo o instituto, a redução indica uma desaceleração na abertura de novas áreas com sinais de desmatamento, mas não representa recuperação das áreas que já haviam sido desmatadas em anos anteriores.

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O menor índice anterior havia sido registrado em 2017, quando o Deter apontou 1.332 quilômetros quadrados sob alerta no primeiro semestre. Desde então, os números oscilaram entre 1.645 km², em 2024, e quase 4 mil km², em 2022.

Cerrado também apresenta redução nos alertas

O Cerrado também registrou queda nos alertas de desmatamento no primeiro semestre deste ano.

Entre janeiro e junho, o Deter detectou 3.142 quilômetros quadrados de áreas com indícios de retirada da vegetação nativa, o menor volume para o período desde 2021.

Apesar da redução, o ritmo de queda foi inferior ao observado na Amazônia. Enquanto os alertas no bioma amazônico diminuíram 38% em comparação com o mesmo período de 2025, no Cerrado a redução foi de aproximadamente 6%.

Mesmo com esse recuo, o Cerrado continua sendo o bioma com maior área sob alerta de desmatamento. Nos seis primeiros meses de 2026, a área identificada foi cerca de 2,4 vezes superior à registrada na Amazônia.

Junho também teve queda nos alertas

Os dados do Inpe mostram que a tendência de redução também foi observada apenas no mês de junho.

Na Amazônia, foram registrados 297,26 quilômetros quadrados sob alerta de desmatamento, contra 457,61 quilômetros quadrados no mesmo mês de 2025, uma redução de 35%.

No Cerrado, os alertas passaram de 508,69 quilômetros quadrados para 481,53 quilômetros quadrados no mesmo período, representando queda de 5,3%.

O Inpe informou que o monitoramento do Cerrado em junho foi parcialmente prejudicado pela presença de nuvens em algumas regiões, o que pode dificultar a identificação de alterações na vegetação por meio das imagens de satélite.

Entenda o calendário utilizado pelo Inpe

Além da comparação por semestre, o Inpe acompanha os alertas de desmatamento em um calendário próprio, que vai de agosto de um ano até julho do ano seguinte.

Esse modelo permite analisar todo o ciclo anual do desmatamento, levando em consideração fatores como o regime de chuvas, a cobertura de nuvens e as condições favoráveis à abertura de novas áreas, que influenciam tanto a ocorrência do desmatamento quanto sua detecção pelos satélites.

Nos primeiros 11 meses do ciclo 2025/2026, entre agosto de 2025 e junho de 2026, os alertas na Amazônia somaram 2.485,90 quilômetros quadrados, uma redução de 37,2% em relação ao mesmo período anterior.

No Cerrado, o volume chegou a 4.689,40 quilômetros quadrados, representando queda de 7,9%.

O ciclo será encerrado após a divulgação dos dados referentes ao mês de julho.

Deter e Prodes têm funções diferentes

O Inpe destaca que o Deter não produz a taxa oficial de desmatamento do país.

O sistema foi desenvolvido para fornecer alertas rápidos às equipes de fiscalização ambiental, indicando possíveis novas áreas de perda de vegetação identificadas por satélite.

Já o Prodes realiza uma análise mais detalhada das imagens e divulga, uma vez por ano, a taxa oficial de desmatamento, consolidando a extensão efetivamente desmatada.

Assim, enquanto o Deter orienta as ações de monitoramento e combate ao desmatamento em tempo quase real, o Prodes é responsável pela medição oficial da área total desmatada no país.

Fonte: G1