Bombeiros de SP encerram missão na Venezuela após terremoto e retornam ao Brasil nesta sexta-feira

A equipe do Corpo de Bombeiros de São Paulo concluiu, nesta quinta-feira (9), as operações da missão humanitária realizada na Venezuela após os terremotos que atingiram o país e deixaram oficialmente mais de 3.889 mortos.

Com o encerramento das atividades de busca e resgate, a força-tarefa iniciou o processo de desmobilização e tem retorno ao Brasil previsto para esta sexta-feira (10).

A missão reuniu especialistas em busca, resgate e atendimento a desastres dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, que atuaram em conjunto com autoridades venezuelanas e equipes internacionais nas áreas mais afetadas pelos tremores.

Segundo o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar de São Paulo, os militares participaram de operações ininterruptas em estruturas colapsadas. Ao longo da missão, foram realizadas 90 intervenções operacionais, que resultaram na localização e retirada de 23 corpos dos escombros, sendo 11 homens, nove mulheres e três pessoas cujo sexo não pôde ser identificado.

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As ações seguiram protocolos internacionais de resposta a desastres e contaram com o apoio de equipamentos especializados, tecnologia de busca e cães treinados para localização de vítimas.

Força-tarefa foi enviada em duas etapas

A participação paulista na missão ocorreu em duas fases. A primeira equipe embarcou para a Venezuela em 26 de junho, formada por 11 bombeiros militares, dois médicos, um representante da Defesa Civil, as cadelas de busca Malina e Kiara e cerca de cinco toneladas de equipamentos.

Dois dias depois, em 28 de junho, uma segunda equipe foi enviada ao país com 16 bombeiros militares, um representante da Defesa Civil e aproximadamente quatro toneladas de equipamentos, ampliando a capacidade operacional da força-tarefa brasileira.

Retorno ao Brasil começa nesta sexta-feira

O retorno das equipes será realizado a partir desta sexta-feira (10). A aeronave KC-30 da Força Aérea Brasileira (FAB) deve chegar a Caracas às 6h para o embarque dos equipamentos utilizados durante a missão.

A decolagem está prevista entre 12h e 13h, com escala em Brasília. Os integrantes das equipes de São Paulo e Paraná seguirão para a Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, onde a chegada está prevista para as 22h. Já os bombeiros de Minas Gerais retornarão ao país em uma aeronave própria.

Em nota, o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo afirmou que a atuação na Venezuela reforça o compromisso da corporação com a cooperação humanitária internacional, colocando sua experiência e capacidade operacional à disposição em missões de resposta a desastres sempre que solicitado.

Governo prepara nova etapa da ajuda humanitária

Enquanto as equipes retornam ao Brasil, o governo federal planeja uma nova fase da assistência humanitária à Venezuela.

Na quinta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se por mais de duas horas com ministros e assessores para avaliar as ações já executadas e discutir novas medidas voltadas à reconstrução do país.

Segundo interlocutores, a reunião não foi conclusiva. A avaliação é de que a próxima etapa da cooperação deverá ser planejada de acordo com as necessidades apresentadas pelo governo venezuelano.

Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o assessor especial da Presidência, Celso Amorim; as ministras Miriam Belchior, da Casa Civil, e Fernanda Machiaveli, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; além do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno.

As operações brasileiras na Venezuela são coordenadas pela Casa Civil.

O governo aguarda novas informações das autoridades venezuelanas para definir quais áreas necessitam de maior apoio antes de anunciar o próximo plano de operação.

Primeira fase mobilizou voos, hospital de campanha e equipes especializadas

Os terremotos atingiram a região norte da Venezuela no fim de junho, incluindo a área de Caracas. Os abalos derrubaram prédios, deixaram milhares de feridos e foram considerados os mais fortes registrados no país em mais de um século.

Segundo boletim oficial divulgado pelo governo venezuelano nesta quinta-feira (9), o número de mortos chegou a pelo menos 3.889, enquanto o total de feridos permanece próximo de 17 mil.

Na primeira fase da ajuda brasileira foram mobilizados:

  • Seis voos humanitários, sendo cinco da Força Aérea Brasileira e um voo solidário da Gol;
  • 60 toneladas de suprimentos, equipamentos e insumos médicos;
  • 100 purificadores de água;
  • Hospital de campanha com até 30 leitos, capacidade cirúrgica, atendimento emergencial, módulo infantil e estrutura preparada para pandemias;
  • 93 militares da Marinha para operar o hospital de campanha;
  • 71 bombeiros militares;
  • Quatro especialistas da Defesa Civil;
  • Seis técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Brasil também estuda ampliar ajuda humanitária a Cuba

Durante a mesma reunião, o governo também discutiu a ampliação da assistência humanitária destinada a Cuba.

Segundo integrantes do governo, há preocupação com o agravamento da situação humanitária no país, especialmente diante de relatos sobre o aumento da fome, principalmente entre crianças.

O governo brasileiro estuda formas de ampliar a cooperação, considerando dificuldades enfrentadas pela ilha, como a falta de energia elétrica. Na segunda-feira (6), Cuba registrou um novo apagão nacional, o terceiro nos últimos seis meses.

As ações de cooperação humanitária do Brasil são coordenadas pela Agência Brasileira de Cooperação, em parceria com diversos ministérios responsáveis pela viabilização das doações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou a jornalistas na Casa Branca que acredita que terá a “honra” de tomar Cuba. Segundo a reportagem, o atual cenário enfrentado pelo país também está relacionado à política adotada pelo governo Trump, que intensificou as sanções econômicas contra a ilha.

Fonte: G1